Bocados de mim, Anaquim
A apaziguar encefalias, dores do reumático e problemas de azia desde mil-nove-e-quarenta-e-três
quinta-feira, 16 de junho de 2011
quarta-feira, 15 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Raquel e as mazelas que arranja em alturas de exames
Há uns aninhos atrás, foi a chaga que, anos volvidos, já mal se nota (excepto quando a minha mãe me pede para tirar a louça da máquina... "Não pode ser!!! Olha! Foi isto que aconteceu da última vez que o fiz!!!").
Agora, é um braço do tamanho que três braços teriam. E, pior do que isso, é ter perdido o cotovelo no meio de todo o inchaço que me ataca. Mais!, da outra vez, foi na mão esquerda. Era mais doloroso, mas era na mão cega. Agora é no braço direito, e embora a dor seja inexistente, é bastante mais incómodo.
Meto então pés ao caminho até ao Centro de Saúde, que por muito que o meu bom e ao mesmo tempo, estúpido humor me faça dizer que agora já sei como é que é ser gordinho e ter muita chicha nos braços, isto ainda me preocupa, e espero que quem me atenda me ponha boa. Sabendo que estas coisas nunca se fazem céleres, levo comigo o meu livrinho para não ter que ver programinhas da tarde da tv, e espero que o altifalante me permita entender o meu nome a ser chamado. A páginas tantas, "*qualquer coisa imperceptível* *o apelido espanhol e o português ditos como se fossem ambos como o primeiro* *Con ssultório dos*". Mais rápida de reacção do que de pensamento, levanto-me com a certeza em crescendo de que "a coisa imperceptível foi 'Raquel'", e ala para o Consultório 2.
Há uma coisa muito interessante no que toca a numerar seja o que for: é prático. Há ainda mais coisas interessantes no que toca a numerar seja o que for: é rápido, eficaz, universal, não permite dúvidas nem trocas. E tudo isto funciona muito bem quando, neste caso, as portas dos consultórios, estão DE FACTO numeradas. Ora, quando não estão, bem podiam dizer "consultório 2", "consultório Aniki Bobó", "consultório Tamarin Imperador", que ia tudo dar ao mesmo! Mas, habituada que já deve estar a que os pacientes vagueiem pelos corredores de nariz no ar à espera da luz divina, a médica decide-se a vir à porta e, vendo-me, pergunta "Ráquel?" BAM! Si, presupuesto!, que sempre que me dá uma maleita qualquer, aparece-me uma médica Espanhola à frente. Elas vêem o meu nome e devem andar à porrada com os colegas Portugueses para me apanharem! Agora percebo o "nh" dito como "ñ" e o "z" lido "c"!
Entro, sento-me ainda tonta de ter virado a cabeça 500 mil vezes por minuto para tentar encontrar o Consultório a que chamam "2", ainda com o livro na mão e com o casaco feito um bicho inanimado no colo, já ela acabou de me perguntar "lo que ce passa?"
"É este meu braço que, desde ontem ao final da manhã, inchou muito", digo o mais pausadamente possível, e tentando que a característica palerma de que sou portadora, de apanhar tudo quanto é sotaque alheio e deles fazer o meu, não se me escorregue da boca para fora.
Ela olha para o braço, e desenha na cara a expressão "mas isso é um braço perfeitamente norm..." mas eis que olha para o esquerdo e ergue as sobrancelhas num "oohh!... Tu tens uns braços finguelinhas! Eh pá! Isso está MESMO inchado!!!"
É chato. É chato porque é chato dizer a uma senhora dos seus, vá, 40 e muitos - 50 anos, cujo braço em dias normais é como o meu triplicado, que de facto o normal do meu é ser magrinho.
Escreve no computador.
"Foste picada?" Não.
Apalpa, apalpa, apalpa, nada.
Escreve no computador.
"Se fizer isto, dói?" Não.
"E se fizer isto?" Não.
Escreve no computador.
"Então e se contrariares este movimento?" Também não.
"Fizeste esforços com o braço" Sim.
Mmmm...
Escreve no computador.
Continua a escrever no computador.
Já estou a pensar "esta mulher está a escrever um livro e é médica nos momentos de parca inspiração?" e zás!, espeta-me os polegares nas axilas e eu penso em todas as aulas acerca do Sistema Linfático que, agora e por segundos, gostava de esquecer, sob pena de magicar no que ela pode encontrar de mau por ali.
Nada.
Escreve no computador.
Pergunta-me: "Tens sentido alguma coisa anormal na mama?"
Respondo "Não tenho, não", mas já tenho o pensamento outra vez a mil à hora, que esta mulher está a ver é se me mata do coração com estas considerações todas, que às vezes era melhor a gente não saber tanto quanto sabe, que quanto mais sabe, mais preocupada fica, que é tudo muito bonito no papel, nos Power Point's, mas a esta altura já me dói tudo, tenho a senhora a apalpar-me uma mama e depois a outra e depois as duas ao mesmo tempo e mal a ouço dizer, ainda à minha frente, quase em cima de mim, e sentindo com toda a certeza todo o meu desconforto e pânico, "isto se fosse numa perna era muito mais fácil" e mal a vejo sentar-se e a escrever outra vez no computador.
"Não sei o que poderá ser..."
Valha-me o Santo que fez de hoje um feriado, que coisa ruim afinal não é! Foi aquele anjinho por que passei e que ia para a procissão, tão fofinha que ela era, de cor-de-rosinha acetinado vestida, asinhas felpudinhas e saltitantes como só as asinhas dos anjinhos saltitam, que me livrou!
Mas, espera lá... Não sabes?
"Voy ali *qualquer coisa imperceptível*. Pedir segunda opiniao!"
Foi mesmo o anjinho! Uma médica sem medo de dizer que não sabe, sem medo de pedir ajuda num diagnóstico, um conselho sobre por que via seguir, pois já calcorreou todas quantas achou possíveis!
Chega outra médica -que ou também é Espanhola ou, como eu, também apreende os sotaques que ouve-, e a primeira pergunta-lhe "O que achas disto?" Perdida que estava no castanho dos meus olhos, precisou de um sussurrante "el braço" ao ouvido para sentir o choque que a diferença de tamanho dos meus dois braços causa.
Conferenciaram:
1ª. médica: "Não tem nada no ombro, *qualquer coisa, qualquer coisa, só percebi "axilas"*, "Pensei que pudesse ser uma tendinite. Mas as tendinites doem!
2ª. médica, virada para mim: "E não te dói?"
eu: "Não."
2ª. médica: *Apalpa, apalpa, apalpa* "Não te dói?"
eu: "Não"
2ª. médica: E desde quando está isto assim?
eu e a 1ª. médica em uníssono, qual Coro de Santo Amaro de Oeiras: "Desde ontem ao final da manhã"
2ª. médica: Se fosse uma *nome de uma inflamação qualquer* também doía..." *Apalpa, apalpa, apa...*
eu: "OLHA! Aí dói!"
as três, sentindo que tínhamos perante nós o Messias recém-nascido: "Awww..."
2ª. médica: "Podia ser uma fractura do cotovelo. Mas, quer dizer, não doía só ao carregar..."
1ª. médica: "Ela diz que fez esforço com o braço..."
2ª. médica: "Fizeste esforço com o braço?"
eu: "Sim." (até porque estou aqui, não deixava a Sra. Dra. Primeira mentir)
1ª médica, tentando acabar o raciocínio: "...podia ser uma ruptura muscular..."
as duas médicas em uníssono: "Mas também doía!"
1ª. médica: "Deixa-me ver as tuas mãos"
Nada.
2ª. médica, apertando-me o bíceps: "Mas isto está duro!"
eu, comigo mesma, que não levava botões comigo: Pois, é um músculo!
A confusão estava instalada no consultório. Já se entranhara nas paredes e parecia não haver esfregona, detergente, compêndio de Medicina capaz de a limpar dali.
2ª. médica: "Quem é o médico de família dela? Quem é o teu médico de família?"
eu, enquanto a 1ª. médica encolhia os ombros: "Dr. Coisito"
2ª. médica para a 1ª., como a quem aquela informação -que a mim também me pareceu desnecessária- o foi de facto: "É dar um anti-inflamatório e vigiar..."
1ª. médica, para a 2ª.: "Ficaste como eu!"
2ª. médica, virada para mim, enquanto me continuava a cutucar o único sítio onde dói: "O ideal era fazer uma ecografia, mas aqui não podemos..."
eu, em pensamento: "E escrever um daqueles formulários que para aí têm com nomes que nada têm a ver com a coisa, a requisitar uma?"
Parece que não...
A 2ª. médica sai, a primeira escreve no computador, às tantas, uma luz ilumina-a de baixo para cima, ela levanta-se e: "Deixa-me só auscultar-te, não vá teres um sopro no coração e ter resultado num caso muito raro para a tua idade!"
Nem tive vagar para processar mais uma informação dada assim à bruta, sem preliminares nem nada, a senhora lá me auscultou em três ou quatro sítios diferentes: "Está tudo bem!"
E cá estou eu, com um anti-inflamatório no bucho, o braço -parece-me- cada vez mais gordo, e com a confusão lançada, mais uma vez!
Raquel: uma incompreendida até pela Medicina!
Agora, é um braço do tamanho que três braços teriam. E, pior do que isso, é ter perdido o cotovelo no meio de todo o inchaço que me ataca. Mais!, da outra vez, foi na mão esquerda. Era mais doloroso, mas era na mão cega. Agora é no braço direito, e embora a dor seja inexistente, é bastante mais incómodo.
Meto então pés ao caminho até ao Centro de Saúde, que por muito que o meu bom e ao mesmo tempo, estúpido humor me faça dizer que agora já sei como é que é ser gordinho e ter muita chicha nos braços, isto ainda me preocupa, e espero que quem me atenda me ponha boa. Sabendo que estas coisas nunca se fazem céleres, levo comigo o meu livrinho para não ter que ver programinhas da tarde da tv, e espero que o altifalante me permita entender o meu nome a ser chamado. A páginas tantas, "*qualquer coisa imperceptível* *o apelido espanhol e o português ditos como se fossem ambos como o primeiro* *Con ssultório dos*". Mais rápida de reacção do que de pensamento, levanto-me com a certeza em crescendo de que "a coisa imperceptível foi 'Raquel'", e ala para o Consultório 2.
Há uma coisa muito interessante no que toca a numerar seja o que for: é prático. Há ainda mais coisas interessantes no que toca a numerar seja o que for: é rápido, eficaz, universal, não permite dúvidas nem trocas. E tudo isto funciona muito bem quando, neste caso, as portas dos consultórios, estão DE FACTO numeradas. Ora, quando não estão, bem podiam dizer "consultório 2", "consultório Aniki Bobó", "consultório Tamarin Imperador", que ia tudo dar ao mesmo! Mas, habituada que já deve estar a que os pacientes vagueiem pelos corredores de nariz no ar à espera da luz divina, a médica decide-se a vir à porta e, vendo-me, pergunta "Ráquel?" BAM! Si, presupuesto!, que sempre que me dá uma maleita qualquer, aparece-me uma médica Espanhola à frente. Elas vêem o meu nome e devem andar à porrada com os colegas Portugueses para me apanharem! Agora percebo o "nh" dito como "ñ" e o "z" lido "c"!
Entro, sento-me ainda tonta de ter virado a cabeça 500 mil vezes por minuto para tentar encontrar o Consultório a que chamam "2", ainda com o livro na mão e com o casaco feito um bicho inanimado no colo, já ela acabou de me perguntar "lo que ce passa?"
"É este meu braço que, desde ontem ao final da manhã, inchou muito", digo o mais pausadamente possível, e tentando que a característica palerma de que sou portadora, de apanhar tudo quanto é sotaque alheio e deles fazer o meu, não se me escorregue da boca para fora.
Ela olha para o braço, e desenha na cara a expressão "mas isso é um braço perfeitamente norm..." mas eis que olha para o esquerdo e ergue as sobrancelhas num "oohh!... Tu tens uns braços finguelinhas! Eh pá! Isso está MESMO inchado!!!"
É chato. É chato porque é chato dizer a uma senhora dos seus, vá, 40 e muitos - 50 anos, cujo braço em dias normais é como o meu triplicado, que de facto o normal do meu é ser magrinho.
Escreve no computador.
"Foste picada?" Não.
Apalpa, apalpa, apalpa, nada.
Escreve no computador.
"Se fizer isto, dói?" Não.
"E se fizer isto?" Não.
Escreve no computador.
"Então e se contrariares este movimento?" Também não.
"Fizeste esforços com o braço" Sim.
Mmmm...
Escreve no computador.
Continua a escrever no computador.
Já estou a pensar "esta mulher está a escrever um livro e é médica nos momentos de parca inspiração?" e zás!, espeta-me os polegares nas axilas e eu penso em todas as aulas acerca do Sistema Linfático que, agora e por segundos, gostava de esquecer, sob pena de magicar no que ela pode encontrar de mau por ali.
Nada.
Escreve no computador.
Pergunta-me: "Tens sentido alguma coisa anormal na mama?"
Respondo "Não tenho, não", mas já tenho o pensamento outra vez a mil à hora, que esta mulher está a ver é se me mata do coração com estas considerações todas, que às vezes era melhor a gente não saber tanto quanto sabe, que quanto mais sabe, mais preocupada fica, que é tudo muito bonito no papel, nos Power Point's, mas a esta altura já me dói tudo, tenho a senhora a apalpar-me uma mama e depois a outra e depois as duas ao mesmo tempo e mal a ouço dizer, ainda à minha frente, quase em cima de mim, e sentindo com toda a certeza todo o meu desconforto e pânico, "isto se fosse numa perna era muito mais fácil" e mal a vejo sentar-se e a escrever outra vez no computador.
"Não sei o que poderá ser..."
Valha-me o Santo que fez de hoje um feriado, que coisa ruim afinal não é! Foi aquele anjinho por que passei e que ia para a procissão, tão fofinha que ela era, de cor-de-rosinha acetinado vestida, asinhas felpudinhas e saltitantes como só as asinhas dos anjinhos saltitam, que me livrou!
Mas, espera lá... Não sabes?
"Voy ali *qualquer coisa imperceptível*. Pedir segunda opiniao!"
Foi mesmo o anjinho! Uma médica sem medo de dizer que não sabe, sem medo de pedir ajuda num diagnóstico, um conselho sobre por que via seguir, pois já calcorreou todas quantas achou possíveis!
Chega outra médica -que ou também é Espanhola ou, como eu, também apreende os sotaques que ouve-, e a primeira pergunta-lhe "O que achas disto?" Perdida que estava no castanho dos meus olhos, precisou de um sussurrante "el braço" ao ouvido para sentir o choque que a diferença de tamanho dos meus dois braços causa.
Conferenciaram:
1ª. médica: "Não tem nada no ombro, *qualquer coisa, qualquer coisa, só percebi "axilas"*, "Pensei que pudesse ser uma tendinite. Mas as tendinites doem!
2ª. médica, virada para mim: "E não te dói?"
eu: "Não."
2ª. médica: *Apalpa, apalpa, apalpa* "Não te dói?"
eu: "Não"
2ª. médica: E desde quando está isto assim?
eu e a 1ª. médica em uníssono, qual Coro de Santo Amaro de Oeiras: "Desde ontem ao final da manhã"
2ª. médica: Se fosse uma *nome de uma inflamação qualquer* também doía..." *Apalpa, apalpa, apa...*
eu: "OLHA! Aí dói!"
as três, sentindo que tínhamos perante nós o Messias recém-nascido: "Awww..."
2ª. médica: "Podia ser uma fractura do cotovelo. Mas, quer dizer, não doía só ao carregar..."
1ª. médica: "Ela diz que fez esforço com o braço..."
2ª. médica: "Fizeste esforço com o braço?"
eu: "Sim." (até porque estou aqui, não deixava a Sra. Dra. Primeira mentir)
1ª médica, tentando acabar o raciocínio: "...podia ser uma ruptura muscular..."
as duas médicas em uníssono: "Mas também doía!"
1ª. médica: "Deixa-me ver as tuas mãos"
Nada.
2ª. médica, apertando-me o bíceps: "Mas isto está duro!"
eu, comigo mesma, que não levava botões comigo: Pois, é um músculo!
A confusão estava instalada no consultório. Já se entranhara nas paredes e parecia não haver esfregona, detergente, compêndio de Medicina capaz de a limpar dali.
2ª. médica: "Quem é o médico de família dela? Quem é o teu médico de família?"
eu, enquanto a 1ª. médica encolhia os ombros: "Dr. Coisito"
2ª. médica para a 1ª., como a quem aquela informação -que a mim também me pareceu desnecessária- o foi de facto: "É dar um anti-inflamatório e vigiar..."
1ª. médica, para a 2ª.: "Ficaste como eu!"
2ª. médica, virada para mim, enquanto me continuava a cutucar o único sítio onde dói: "O ideal era fazer uma ecografia, mas aqui não podemos..."
eu, em pensamento: "E escrever um daqueles formulários que para aí têm com nomes que nada têm a ver com a coisa, a requisitar uma?"
Parece que não...
A 2ª. médica sai, a primeira escreve no computador, às tantas, uma luz ilumina-a de baixo para cima, ela levanta-se e: "Deixa-me só auscultar-te, não vá teres um sopro no coração e ter resultado num caso muito raro para a tua idade!"
Nem tive vagar para processar mais uma informação dada assim à bruta, sem preliminares nem nada, a senhora lá me auscultou em três ou quatro sítios diferentes: "Está tudo bem!"
E cá estou eu, com um anti-inflamatório no bucho, o braço -parece-me- cada vez mais gordo, e com a confusão lançada, mais uma vez!
Raquel: uma incompreendida até pela Medicina!
domingo, 12 de junho de 2011
Como dar conta de que já estamos a precisar de uma pausa, em apenas um passo
Estar a estudar e escrever: "a libertação de prolactina pela hipófise anterior origina a produção de leite, que fica armazenado nos alvéolos pulmonares"
É nos mamários, amores. "Alvéolos mamários". Só para não ficarem dúvidas...
terça-feira, 31 de maio de 2011
Ai Portugal, Portugal
Portugal não é um país atrasado porque falta tinteiros para imprimir processos nos Tribunais. Não é um país atrasado porque em pleno século XXI ainda havia (há?) povoações sem água canalizada, nem porque se fazem greves quando afinal a razão porque se as convocaram já não existe, mas tal não foi comunicado. Não. Portugal é um país atrasado por causa deste sinal:

Há possibilidade de caírem pedregulhos na via pública? Há. Vamos fazer alguma coisa para o evitar? Não. Vamos antes pôr um sinal a avisar que tal pode suceder para evitar processos penais, e vamos esperar pelo melhor. Porque a) não se pode mexer com a Natureza, porque ela sabe o que faz, e se pôs pedregulhos soltos nesta encosta, é porque é a ordem natural das coisas; e b) a TVI precisa de matéria informativa, diacho! Calha de cair um ou outro, e calha de ir mesmo a passar naquele momento a carrinha com os putos para a escola, e quê?, íamos esperar que viesse a Fátima Campos Ferreira fazer o levantamento dos prós e contras da coisa? Não!
A sério que queremos ser um país com "P" grande? É que às vezes não parece mesmo nada...
A sério que queremos ser um país com "P" grande? É que às vezes não parece mesmo nada...
domingo, 29 de maio de 2011
Lógica da Batata
Há nomes e nomes. Há aqueles que nos remetem para advogados e arquitectos, e há outros que soam mais a trolha ou cabeleireira de bairro. Não quero ferir susceptibilidades, mas é um facto e não há volta a dar-lhe. Nunca veremos um "Afonso Gonçalves" de garrafão na mão, pança proeminente e bandeira de Portugal estampada na t-shirt num pick-nick do Tony, assim como não veremos uma "Andreia Rafaela" a receber a Grã-Cruz da Ordem do Infante D.Henrique por serviços prestados à nação.
No mundo vegetal, passa-se o mesmo. E a prova disso são as e.coli's do pepino. Mas que raios, o pepino não consegue ser levado a sério! É cómico ouvir o Francisco George falar do pepino infectado, mas não o devia ser! Isto é um caso sério!!! Isto devia-se ter passado antes com a courgette ou a couve-roxa. O pepino não é legume para ser levado a sério...
sábado, 28 de maio de 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
(Breve) Nota de Rodapé
Apareceu ontem no Telejornal da RTP1, em jeito de compasso cadenciado sempre a igual ritmo quaisquer que sejam os propósitos que apregoa, variando apenas na maior ou, raramente, menor dedução pedida a quem lê para compreender o que de facto se quer dizer -não tanto o que se diz-, por ser parco o espaço e dúbias as siglas, não sem raras vezes apetrecharem o trecho com um, dois ou, em suplício de pedido de despedimento por parte de quem escreve, mais erros, a notícia em rodapé afecta ao separador "Economia" que fazia saber (e sinto conseguir citar): "Crise: Prostitutas baixam preços de serviços".
Hoje, no "Metro" (o jornaleco diário-em-dias-de-semana que é entregue em tudo quanto é poiso de transportes públicos), escrevia a Sílvia Maia da Agência Lusa que a "Crise já chegou ao negócio do sexo". Diz que (e volto a citar): "As prostitutas de rua estão a fazer descontos a pedido de alguns clientes que se queixam da crise".
Até podia parecer que eu ia fazer um reparo quanto a isto. É verdade que é tema para ter muito mais pano do que o que precisa para o que lhe compete, mas vou deixar passar esta, até porque, como diz a Sílvia e citando "As Irmãs Oblatas" (ignoro...) "tudo é negociável excepto o uso de preservativo". É bom saber que poupar, 'tá bem, é necessário, faz falta, mas nunca no essencial.
Sai o labajão de casa todo ele pimposo e pleno de vontades, a saber que pôde comprar leite e pão para quem lá deixou, que conseguiu poupar uns trocos para a prática do amor em vãos de escadas, e que voltará sem comichões alheias, já que até as próprias são difíceis de suportar.
Não, não vou entrar por aí... O que me traz um certo matutar ao córtex e que aqui pretendo expor é o como saberá a comunicação social destas coisas. Será dica anónima enviada para o Provedor por carta em Correio Azul?
"Exmo. Sr. Provedor da Estação Pública,
Venho por este meio expressar o meu mais recente atentar no estado em que caiu o nosso país e consequente preocupação que daí advém, e que creio será de extrema utilidade pública venha fazer saber em serviços noticiosos desta mesma estação que tanto e tão bem se preocupa com o bem-estar, saúde e demais comodidades do povo Português.
[...]
Passou-se comigo, isto lhe posso garantir, eu que nem estava à espera, que esperei penosamente dois meses da reforma e da pensão da minha falecida -que o Senhor a tenha-, que deixei mesmo por comprar os comprimidos para o costról, enfim, em troca de outros..., qual não é o meu espanto quando me apercebo de que não precisava de ter carpido tanto!
Faça saber Sr. Provedor, faça saber, que a crise, esta, merece mesmo tocar a todos!
Atenciosamente,"
Ora o Provedor, "ai, ai, ai, que faço eu agora?!", perdido entre o dever de fazer ouvir a voz do Cidadão e a ética de manter privada a privacidade, até mesmo a desvairada, zau! atira com aquilo para o rodapé.
Vai daí, a Sílvia que estava sem saber por que tema começar esta semana, perde-se no rodapé, como eu tantas vezes, e "ai que já tenho artigo!". Afinfa-se às Irmãs Oblatas (ignoro...), e temos um espacinho no jornal, temos publicidade, temos maior afluência aos serviços e fica tudo feliz porque quem não p(h)odia passa a p(h)oder e sempre com a certeza da máxima protecção! Não penseis vós que o povo só serve para levar no lombo à bruta, sem amor nem com paixão. Não! O povo também se sabe chegar à frente! E o povo quer p(h)oder, paga, não vai pedir ajuda à Fräulein!
Gosto mesmo de finais felizes!
Hoje, no "Metro" (o jornaleco diário-em-dias-de-semana que é entregue em tudo quanto é poiso de transportes públicos), escrevia a Sílvia Maia da Agência Lusa que a "Crise já chegou ao negócio do sexo". Diz que (e volto a citar): "As prostitutas de rua estão a fazer descontos a pedido de alguns clientes que se queixam da crise".
Até podia parecer que eu ia fazer um reparo quanto a isto. É verdade que é tema para ter muito mais pano do que o que precisa para o que lhe compete, mas vou deixar passar esta, até porque, como diz a Sílvia e citando "As Irmãs Oblatas" (ignoro...) "tudo é negociável excepto o uso de preservativo". É bom saber que poupar, 'tá bem, é necessário, faz falta, mas nunca no essencial.
Sai o labajão de casa todo ele pimposo e pleno de vontades, a saber que pôde comprar leite e pão para quem lá deixou, que conseguiu poupar uns trocos para a prática do amor em vãos de escadas, e que voltará sem comichões alheias, já que até as próprias são difíceis de suportar.
Não, não vou entrar por aí... O que me traz um certo matutar ao córtex e que aqui pretendo expor é o como saberá a comunicação social destas coisas. Será dica anónima enviada para o Provedor por carta em Correio Azul?
"Exmo. Sr. Provedor da Estação Pública,
Venho por este meio expressar o meu mais recente atentar no estado em que caiu o nosso país e consequente preocupação que daí advém, e que creio será de extrema utilidade pública venha fazer saber em serviços noticiosos desta mesma estação que tanto e tão bem se preocupa com o bem-estar, saúde e demais comodidades do povo Português.
[...]
Passou-se comigo, isto lhe posso garantir, eu que nem estava à espera, que esperei penosamente dois meses da reforma e da pensão da minha falecida -que o Senhor a tenha-, que deixei mesmo por comprar os comprimidos para o costról, enfim, em troca de outros..., qual não é o meu espanto quando me apercebo de que não precisava de ter carpido tanto!
Faça saber Sr. Provedor, faça saber, que a crise, esta, merece mesmo tocar a todos!
Atenciosamente,"
Ora o Provedor, "ai, ai, ai, que faço eu agora?!", perdido entre o dever de fazer ouvir a voz do Cidadão e a ética de manter privada a privacidade, até mesmo a desvairada, zau! atira com aquilo para o rodapé.
Vai daí, a Sílvia que estava sem saber por que tema começar esta semana, perde-se no rodapé, como eu tantas vezes, e "ai que já tenho artigo!". Afinfa-se às Irmãs Oblatas (ignoro...), e temos um espacinho no jornal, temos publicidade, temos maior afluência aos serviços e fica tudo feliz porque quem não p(h)odia passa a p(h)oder e sempre com a certeza da máxima protecção! Não penseis vós que o povo só serve para levar no lombo à bruta, sem amor nem com paixão. Não! O povo também se sabe chegar à frente! E o povo quer p(h)oder, paga, não vai pedir ajuda à Fräulein!
Gosto mesmo de finais felizes!
sábado, 21 de maio de 2011
3 palavras para vocês, 527 para mim:
Feira Medieval
Que é bem capaz de serem só duas mas, assim como assim, nós por cá também não atinamos muito bem com os números...
quinta-feira, 19 de maio de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Oh p'ra mim a pôr-me a jeito para levar com ela na testa!*
Vermelhos! Vermelhos!
*A cuspidela que mandei para o ar em jeito de boca de barulho desnecessária, oh gente imoral!
That's why I love Carr-nah-vau
É com enorme prazer (e um abanico ritmado da anca com as correspondentes ondas de choque pelo corpo todo -isto podia soar muito mal, eu sei, mas não sejam depravados que passa!-), que vos apresento o meu mais recente repeat:
"Real in Rio" - OST Rio
"E porquê?", perguntam-me vocês. Amores, porque esta música faz-me feliz e mais não digo.
domingo, 15 de maio de 2011
Investigação Criminal
Veio a público a notícia de que Dominique Strauss-Kahn, director-geral do FMI, foi acusado de tentativa de violação de uma empregada de um hotel em Nova Iorque.
Notícias destas chocam pela alarvaria do acto a que o sujeito se propõe executar, sendo que nesta acresce-lhe ainda o facto -sem que, sem ele, o feito fosse menos escabroso (e, sem partir do princípio de que o senhor está inocente até prova do contrário)-, de o dito sujeitinho em causa ser a) director-geral duma entidade mundialmente reconhecida; b) candidato presidencial num país europeu e c) favorito a ganhar essas mesmas eleições.
Sempre ouvi dizer que os exemplos vêm de cima, e tenho o FMI por uma estrutura muito bem organizada. E senão, vejamos: ora, a comandita subalterna do senhor Dominique que tem passado uns tempinhos em Portugal ultimamente, parece-me que tentou e foi mesmo bem sucedida a nos ph*der a todos!
O que mais me preocupa nisto tudo, não é o não ter conseguido atingir qualquer estado de prazer, mas sim que isto possa acontecer sem que por isso alguém vá ser indigitado ou presente a Tribunal!
Desde que haja sol, toalha-baldinho-lancheira-e-bola-insuflável do FCP, couratos, bejecas e tremoços, santos popularuchos e bailarico, este povo está sempre bem! Aproveitam-se de nós, é o que é...
Notícias destas chocam pela alarvaria do acto a que o sujeito se propõe executar, sendo que nesta acresce-lhe ainda o facto -sem que, sem ele, o feito fosse menos escabroso (e, sem partir do princípio de que o senhor está inocente até prova do contrário)-, de o dito sujeitinho em causa ser a) director-geral duma entidade mundialmente reconhecida; b) candidato presidencial num país europeu e c) favorito a ganhar essas mesmas eleições.
Sempre ouvi dizer que os exemplos vêm de cima, e tenho o FMI por uma estrutura muito bem organizada. E senão, vejamos: ora, a comandita subalterna do senhor Dominique que tem passado uns tempinhos em Portugal ultimamente, parece-me que tentou e foi mesmo bem sucedida a nos ph*der a todos!
O que mais me preocupa nisto tudo, não é o não ter conseguido atingir qualquer estado de prazer, mas sim que isto possa acontecer sem que por isso alguém vá ser indigitado ou presente a Tribunal!
Desde que haja sol, toalha-baldinho-lancheira-e-bola-insuflável do FCP, couratos, bejecas e tremoços, santos popularuchos e bailarico, este povo está sempre bem! Aproveitam-se de nós, é o que é...
sábado, 14 de maio de 2011
Sexo, Drogas, Rock'n'Roll e Letras Infantis
"Era Uma Vez Um Cavalo", Grupo Vocal da Escola Básica 2, 3 da Maia (São Miguel - Açores)
Não consigo descortinar se terá sido uma premonição de que um dia se iria fazer uma "Smell's Like Teen Spirit" com esta letra, que fez o Kurt Cobain se suicidar; ou se, tê-lo sabido, teria evitado tal coisa.
Quanto a mim, acho que o Grupo Vocal da Escola Básica 2, 3 da Maia (São Miguel - Açores) está mais que de Parabéns, o Grupo Vocal da Escola Básica 2, 3 da Maia (São Miguel - Açores) rulesss!!!
(Aconselho vivamente "A Machadinha", "A Loja do Mestre André" e "Atirei o Pau ao Gato" )
terça-feira, 10 de maio de 2011
É preciso cuidado com o que se diz, aonde se diz
A Mogwai é um bicho que, à primeira vista, parece um gato. No entanto, à medida que com ela se vai convivendo, vai-se perdendo toda a convicção nisso. A Mogwai tem tripla personalidade sendo uma dessas, dupla. É hiper-activa, não dorme o quanto devia nem sabe andar a não ser aos pulinhos. Quando era mais nova preferia, inclusive, correr vertiginosamente pela casa, não sem saltar do chão para as costas do sofá e de novo para o chão, principalmente quando lá estava alguém sentado para lhes rasar a cabeça e lançar o pânico. Também não media bem as distâncias...
Tem amigos imaginários com os quais luta de vez em quando -felizmente o palco dessas lutas já deixou de ser a banheira, que lhe servia como Poço da Morte-. Perdeu há algum tempo um amigo canídeo (real) que morava no prédio em frente e com o qual "falava" todos os dias. Agora, amigou-se das pombas que pousam nas varandas do mesmo prédio, lançando-lhes os mesmos estalidos da boca para fora, e das andorinhas que passam em voos tentadores à janela preferindo, a estas últimas, lançar olhares gulosos.
A Mogwai não tem noção do perigo. As janelas têm que estar sempre fechadas, porque ela salta dos peitoris para as varandas, das varandas para os peitoris, e creio até que no passado, quando ela era mais magra e passava pelas frinchas minúsculas que deixávamos abertas para o ar circular, se faziam apostas no prédio em frente sobre se era desta que ela caía. Mas, o pior de tudo, é que quem a ensinou a ser assim, foi a Migalhas, que usa a sua maior longevidade para incitar a pequena a fazer disparates e morrer pela calada.
A Mogwai não come com o focinho dentro da gamela. Antes, pega em cada bocadinho de comida com a pata e leva-o à boca. E aprendeu que se puser uma pata dentro da gamela, ela não foge à medida que vai lambendo a gelatina dos patés. Não pode sentir o cheiro de chocolate nem de batatas fritas aos quais não se ensaia nada para roubar um bocado. Mal ouve o dispositivo das latas de chantilly em acção, aparece num ápice de onde quer que esteja, e não posso comer leite com cereais sem lhe deixar um bocadinho de leite no final, sob pena de me vazar os olhos enquanto durmo.
A Mogwai responde "mau" quando lhe perguntamos que género de bicho é que ela é; está apaixonada por um camelo em couro que veio de Marrocos, o qual abraça e a acalma quando ela está chata; desde que aprendeu a miar, não se cala; não pode ver uma folha de papel, ou um bocado que seja, que o destrói logo podendo, em momentos mais desvairados, comer uns quantos pedacitos; vem quando a chamamos e é muito influenciável. Ouviu dizer que os bebés são deliciosos e que só apetece comê-los. Agora, de cada vez que ponho creme (que é de bebé), e por ser tempo quente, ando de braços ao léu, tenho que a manter afastada, porque ela não sossega enquanto não mo lamber todo dos braços.
Tem amigos imaginários com os quais luta de vez em quando -felizmente o palco dessas lutas já deixou de ser a banheira, que lhe servia como Poço da Morte-. Perdeu há algum tempo um amigo canídeo (real) que morava no prédio em frente e com o qual "falava" todos os dias. Agora, amigou-se das pombas que pousam nas varandas do mesmo prédio, lançando-lhes os mesmos estalidos da boca para fora, e das andorinhas que passam em voos tentadores à janela preferindo, a estas últimas, lançar olhares gulosos.
A Mogwai não tem noção do perigo. As janelas têm que estar sempre fechadas, porque ela salta dos peitoris para as varandas, das varandas para os peitoris, e creio até que no passado, quando ela era mais magra e passava pelas frinchas minúsculas que deixávamos abertas para o ar circular, se faziam apostas no prédio em frente sobre se era desta que ela caía. Mas, o pior de tudo, é que quem a ensinou a ser assim, foi a Migalhas, que usa a sua maior longevidade para incitar a pequena a fazer disparates e morrer pela calada.
A Mogwai não come com o focinho dentro da gamela. Antes, pega em cada bocadinho de comida com a pata e leva-o à boca. E aprendeu que se puser uma pata dentro da gamela, ela não foge à medida que vai lambendo a gelatina dos patés. Não pode sentir o cheiro de chocolate nem de batatas fritas aos quais não se ensaia nada para roubar um bocado. Mal ouve o dispositivo das latas de chantilly em acção, aparece num ápice de onde quer que esteja, e não posso comer leite com cereais sem lhe deixar um bocadinho de leite no final, sob pena de me vazar os olhos enquanto durmo.
A Mogwai responde "mau" quando lhe perguntamos que género de bicho é que ela é; está apaixonada por um camelo em couro que veio de Marrocos, o qual abraça e a acalma quando ela está chata; desde que aprendeu a miar, não se cala; não pode ver uma folha de papel, ou um bocado que seja, que o destrói logo podendo, em momentos mais desvairados, comer uns quantos pedacitos; vem quando a chamamos e é muito influenciável. Ouviu dizer que os bebés são deliciosos e que só apetece comê-los. Agora, de cada vez que ponho creme (que é de bebé), e por ser tempo quente, ando de braços ao léu, tenho que a manter afastada, porque ela não sossega enquanto não mo lamber todo dos braços.
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