quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010

Está a chegar, mais do que uma nova década calendarizada, um motivo acrescido para a minha habitual insurreição.
Não é a crise que me chateia (até porque acho que a crise é como a Matemática: só é um bicho de sete cabeças porque dela fazem isso...), não é o facto do Inverno estar a ser Inverno, com todo o seu vento e chuva e trovões, que me tira do sério, é sim a capacidade de emporcalhar que gente com deveres acima da média tem. Falo, portanto, do estupidamente erróneo Acordo Ortográfico.

Disse certa vez Fernando Pessoa, tão-somente um dos maiores poetas que esta terrinha já teve, que "a minha Pátria é a Língua Portuguesa", e não estando eu com disposições -se mais não fosse-, para despatriar o senhor, afirmo que não vou ligar pevide ao Acordo. E mais, incentivo todo e cada um de vós para fazerem o mesmo!
Que sejamos uns vendidos no que toca ao petróleo, já é mau que chegue, que isto de ter o Primeiro-Ministro a vender computadores é vergonhoso q.b., mas vendermos a identidade, a cultura, a Pátria, por sejam quantos galões forem de crude, é baixo, muito baixo. Preocupam-se com Espanha, que está cada vez mais em Portugal, quase a fazer de nós uma província? Temam é os avanços que têm sido feitos para sermos o país da América Latina mais Europeu!


Que nenhuma biblioteca destrua os seus "obsoletos" livros, que ninguém deixe cair os c's, que o latim já morto nos deixou em legado, que se continue a escrever os dias da semana com letra maiúscula, para ver se lhes dão mais valor em vez de constantemente se queixarem que o tempo passa depressa, são os meus desejos.

Que o greco-romano esteja sempre convosco, e que não se deixem guiar por brasileirices, que nem Língua é, mas ainda assim, temos que ir atrás deles...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

A Todos Um Bom Natal

Pelas vozinhas inconfundíveis do Coro de Santo Amaro de Oeiras, quem mais, afinal, para fazer o Natal realmente ser Natal. Chega a ser quase tão típico e necessário quanto o Pai-Natal, o presépio, ou até mesmo o "Música no Coração" na RTP1 (e não, não vou falar dos Natais nos Hospitais, que agora já são em todos os canais, e isso assassina por completo memórias infantis).

Podia só deixar aqui a música, podia. Mas ia-vos fazer perder o privilégio de se regozijarem com os penteados que tantas saudades deixam desses crazy 90's! E, clara e obviamente, não era a mesma coisa.

Assim sendo, Feliz Natal!



P.S.: OndaChoc: os Hanna Beyoncé Montana dos vinis dos anos 90. Long Live OndaChoc!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Espírito Natalício

A Funerária R.... S.... deseja Boas Festas a todos os seus clientes e amigos.

Tirando o facto de que os clientes estão mortos, e de que amigos duma funerária não hão-de ser tantos quanto isso, 'tá simpático...


Ai espírito Natalício, espírito Natalício, como tu embebedas as pessoas!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

(Mais do que) uma questão de contracções

Assim à primeira vista, podia parecer que a minha vida tinha dado umas quantas cambalhotas (mas que pertinente escolha de palavras...) e estava eu agora a braços com mais um par de braços a caminho. Já não seria aliás, a primeira vez que dizendo eu ter algo para contar, deduziriam que eu estava na eminência de confessar uma gravidez. Pois bem, não é esse, de todo, o caso, até porque gravidez só se fosse mesmo por obra, graça mas muito pouco sentido de humor do Espírito Santo, e não me parece que ele se queira meter noutra. Literalmente...
Mas adiante! O que eu tenho a revelar, é mais uma razão para a minha preferência de gatos a cães.
É bastante melhor ouvir (sem que a alternativa seja de todo, boa...) "a gata da Bila" do que " a cadela da Bila". Até porque, lá está, um é verdade, e o outro não...
Além do mais, se um dia arranjar um gato, será igualmente bom (se não melhor, até...) ouvir-lhe referências do género.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Giro giro...

... era se o Caicedo morasse em Caíde...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sensações


Hoje senti-me o Presidente da República: estive a fazer exercício de funções.


(Valha-te Deus, Raquel...)

sábado, 28 de novembro de 2009

Operações em marcha

Aproveitando fugas ao segredo de justiça, dar-vos-ei um apanhado das investigações em curso no nosso País. Uma delas (ou mais), virá à luz dos noticiários um dia destes.
Aceitam-se apostas...


.Operação Potter Cabeludo - investigação do caso da rede que fazia de cavalos da GNR mulas, escondendo-lhes droga nos cascos.

.Operação Coq au Vin - investigação na raia, de automóveis com matrícula francesa, que trazem CD's pirateados da Carla Bruni e os infiltram em feiras nacionais, aproveitando a época natalícia.

.Operação Voicemail - investigação de fraude de cartões de telemóvel e auriculares por parte de acessores de José Sócrates.

.Operação Encosta-te a Mim - investigação de redes nacionais que aliciavam mulheres cheiinhas para prostituição em casas especializadas. Crê-se que estejam envolvidas uma marca internacional de mobiliário e uma marca nacional de colchões.

.Operação Histeria - investigação das bagageiras dos autocarros das fãs de Tony Carreira por suspeitas de posse e intenção de distribuição de anfetaminas.

.Operação Uó Telse - mais uma qualquer que não vai a lado nenhum por causa do telemóvel do Sócrates.

Chamem-lhes nomes...

Aquela era uma típica manhã de Segunda-feira a chegar ao fim: chata. Cinzenta, fria e húmida, do modo como só o Inverno a ela se sabia ligar, emaranhado que já estava nas paredes daquele escritório iluminado parcamente por uma luz amarelada e cansada que o tornava ainda mais estreito e baixo, ainda menos agradável.
"Bolas, que fastio!", pensou enquanto se recostava na cadeira que, à força de tantas vezes ter que suportar agruras profissionais, já chiava ao mínimo encosto.
Puxou duma cigarrilha, deslizando-a pelo nariz fazendo com que o cheiro adocicado do tabaco fraco lhe pesasse prazenteiramente nas pálpebras que a ele cederam. Com a mão direita tacteou o bolso do casaco onde tinha o isqueiro, e deixando o hábito mover-lhe os dedos, fez a chama saltar de encontro à já preparada cigarrilha. O crepitar das folhas secas, e o bafo de fumo pardo a subir em direcção ao tecto, hipnotizaram-no.
Perdido neste torpor, foi com um salto e um compassar acelerado do coração que saudou o anafado Antunes, que lhe irrompia pela sala luzidio e com a expressão de criança em vésperas de Natal:
-Inspector-chefe, vamos ao nosso almocinho?
Diabos pá! Que este homem para além de contrariar todas as leis da Física e deslocar-se sem ruído, ainda se rege pelo estômago qual astrónomo pelos Planetas!
Assim como assim, estava visto que aquela manhã já não ia render mais...

À saída do prédio, notou que toda a neblina que envolvia aquela parte da cidade prolongava o cinzento da fachada. Pensou, com um misto de humor sarcástico e auto-comiseração, que o cinzento sempre o perseguia, quanto mais não fosse, pela gabardina com mais anos do que os que se lembrava e da qual nunca teve paciência de se livrar.
Apanhou a meio a frase do Antunes, qualquer coisa como "...mais indícios de falcatruas".
-Esta vai ser de peixe graúdo, chefe! Já temos tudo para partir para a investigação! Chato é ninguém conseguir pensar num nome para dar à Operação...
Grunhiu-lhe um qualquer incentivo despropositado, mas visto a porta do restaurante já estar próxima, não adiantava alongar-se na conversa.

De lista na mão, viu sem ler o que havia, e decidiu-se, transmitindo ao empregado que já esperava impaciente de papel e caneta na mão, ao lado da mesa.
-Pode ser Paella...
-Isso!!! PAELLA! -exaltou-se Antunes.
-Duas paellas então? -disse, atarantado, o empregado, atónito com tamanha voracidade!
-Não homem, credo! Para mim é uma mãozinha de vaca!-disse Antunes, enquanto se ria baixinho, adjectivando só para ele e para os seus botões, os sujeitos que comiam paella...

sábado, 14 de novembro de 2009

Calendarizações


A grande maioria do povo Português (a bem dizer, os palermas) voltou a cometer uma gaffe... É que o
dia dos diabretes é a 14 de Novembro, e não a 31 de Outubro...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mãos Mágicas

Não, este post não é sobre as minhas mãos. Mas podia! :)
O vídeo que se segue é a actuação de Kseniya Simonova, vencedora da versão ucraniana do concurso "Britain's Got Talent" (a tradução talvez seja "Ukraine's Got Talent", mas em ucraniano, claro está! :D), com uma rotina de sand painting. Para além de eu gostar particularmente do formato deste programa (só mesmo em Portugal é que conseguiram torná-lo uma valente bodega, a começar pelo título "Aqui Há Talento"), também gosto bastante desta arte (?!) de sand painting. Lembro-me de já ter visto também no tutubo um senhor a fazer algo do género. Com certeza que haverá mais gente a fazer isto, mas não serão tantos quanto isso, facto que terá garantido originalidade à menina Simonova (os Silvas lá do sítio), o que a terá ajudado a ganhar o concurso. Gostava de ver uma actuação destas ao vivo. Resta apenas escrever que estas imagens de areia feitas pela menina ucraniana retratam a invasão e ocupação alemãs durante a II Grande Guerra (reparem que eu escrevi "Grande Guerra" e não "Guerra Mundial", só para não ferir susceptibilidades :P).



Para terminar deixo aqui outro vídeo, um rebuçado para aqueles que gostam de futebol. E até tem tudo a ver com o título deste post! Bom, neste caso seria mais "Pés Mágicos"... E não, também não são os meus pés! Mas também podiam :)
Um tal de Zlatan Ibrahimović (sim, aquele rapazote sueco que no último Verão trocou o Inter de Milão de Mourinho pelo Barcelona de Guardiola por uns trocos na ordem dos 70 milhões de euro) fez esta gracinha no último fim-de-semana no jogo do Barcelona contra o Maiorca.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Humor Negro (mas daquele negro-Raquel-devias-ter-vergonha-!)

Um maneta pedinte tem que tirar o dia de folga quando chove? É que ficar a apanhar chuva, dá para ficar doente, e não tem entidade patronal que lhe pague a baixa; e só segurar o guarda-chuva, não põe comida na mesa de ninguém...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Escutas

Estou em condições de afirmar que o Sócrates anda a escutar de facto, o que quer e o que não quer, e quando calha de não gostar do que ouve, leva a mal e se amua todo, e é tacanho e mesquinho para as pessoas em causa. E não falo do Aníbal! Esse é maior e em vias de ser vacinado, que trate das coisinhas lá em casa, que roupa suja lava-se é na comunicação social (desde que não seja Sexta à noite). Mas estava eu a dizer que o Sócrinhos anda com microfones -até novos choques tecnológicos...- e aparelhinhos similares ou nem por isso, mas que servem para o mesmo. E o que é que ele me fez desta vez, o quê, o quê?! Recusa-me o Cartão do Cidadão... Eu digo mal dele, digo mal das políticas, ideias, ideais, vontades e gravatas, que nem da cara dele gosto e não lhe suporto a voz, não lhe dou votos e ainda mando bocas quanto à acuidade nas escolhas dos casos em que se mete, que fêmeas ao barulho só se tiverem nome de homem, e que só está à espera que a lei do casamento homossexual passe (fosga-se!) para assumir romances. E o que é que ele me faz? Recusa-me o Cartão do Cidadão... Ai é assim, é?! Queres que me mude de armas e bagagens para o Estrangeiro, é? Quem te dera... Não vou, fico aqui! Que aqui é que dá gosto falar mal!
'Tá bem que na foto pareço uma contrabandista toxicodependente na sua septagésima terceira encarceradela. Mas isso não é razão para se negar o Cartão a ninguém... Nem mesmo a quem já tem menos direitos que muitos dos estrangeiros que para cá vêm!


(A bem dizer, e em bom abono da verdade, "negar" é capaz que seja um termo excessivo. Na verdade "só" já o pedi há mais de 3 semanas e ele ainda não chegou, quando o tempo médio são 10 dias, e o de todas as pessoas que conheço e que já o pediram, demorou bem menos... Mas devem ser todos de esquerda... Isso ou com tento na língua...) (AH! Que piada gira que fiz agora: Pois, é que eu, de facto, nunca me con tento)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O meu "mai" velho

Sucede que a (desde o rafting) "Dona Raquel Vilarinho" me convidou a juntar a esta equipa magnífica, respeitosa, imponente, estupenda, assombrosa, que vai mantendo vivo este blog! Ok, a equipa talvez não seja assombrosa... E se calhar também não é estupenda. Pronto! Equipa magnífica, respeitosa e imponente!! Respeitosa?? O respeito já lá vai há muito... Vá, equipa magnífica e imponente! Embora imponente não me pareça agora um adjectivo muito adequado. Equipa magnífica, é isso!!!! Ou então não é tão magnífica quanto isso que eu já ouvi umas queixas que a malta escreve pouco... Ok, está decidido, é uma equipa e ponto final! (curioso ter terminado a frase anterior com as palavras "ponto final" e com um ponto de exclamação) Mas esperem lá, se esta malta se põe a fazer queixinhas uns dos outros aproveitando para dar umas belas facadas pelas costas, que raio de espírito de equipa é este?? Já percebi, este blog é mantido por um conjunto de seres que, volta e meia (540º portanto, ou 3*pi), lá se dá ao trabalho de "bater" em meia-dúzia de teclas...

De qualquer forma, convite prontamente aceite e cá estou eu a estrear-me em "inevitabilidades", o que por sua vez coincide com a minha estreia também nesta coisa de blogar! (e esta forma subtil como consegui meter aqui no meio do texto o nome do blog, ein?!)

Para finalizar, deixo-vos um miminho... Agora sem brincadeiras que isto é assunto sério, uma fantástica iniciativa do mágico espanhol Jorge Blass: Magical Kenya 2009.

sábado, 24 de outubro de 2009

Maus Hábitos

Hoje apetece-me reflectir, mas não tenho em quê...

De certeza que amanhã vou querer ir votar, e isso é que vai ser uma chatice!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Piada Joke (explicada)


O que é o Topo para nós?
É um felogénio!

(Acreditem que tem mesmo muita piada! E toda ela está no facto de "felogénio" ser, com efeito, uma palavra, e se ler "fé-ló-génio", remetendo para fellow génio, remetendo por sua vez para a estrangeirice académica em que o Topinho se encontra!!! Genial, não está?)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Previsibilidades


Mas afinal, queremos que a
malta ganhe ou não?


(Calma, calma! Tenho outra! )


O único mau resultado de logo é o empate. Porque com qualquer dos outros, a malta ganha!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Megafones


Acabaram as campanhas políticas...


...mas o circo instalou-se na cidade.

Em termos de carripanas a fazer barulho (já que em tudo o resto, é quase ela-por-ela (na política ainda não proibiram por lei a reprodução entre políticos...)), não sei qual é pior...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Critérios e Vontades...

E eis que quando eu pensava já ter visto de tudo, que já quase tudo me tinha acontecido, que nada mais me ia baralhar e confundir, atordoar e atarantar, me surge um jovem na rua, que abre os braços para mim e me abraça!

*jovem a abrir os braços e a vir na minha direcção*
*eu a arquear e subir uma sobrancelha e a dizer "achas mesmo que sim?!"*
*jovem a achar mesmo que sim*
*...*


E o que é que eu penso depois deste estalo dado na decência moral pela arbitrariedade déspota? "Hmm... Cheirava bem o menino..."

!!!!! "cheirava bem, o menino"?! E o choque?! E o barafustar?! E o "parece mas'é qu'é parvo, ou quê!..."?! E... E...
É que cheirava mesmo bem o menino, pronto...


Ai Porto, Porto... O que tu fazes às pessoas...!

sábado, 10 de outubro de 2009

Mudam-se as Vontades

Saudosos e felizes eram os tempos em que havia um curso chamado Matemática Aplicada à Tecnologia, vulgo MATec. Mas eis que de repente, surge uma senhora chamada Bolonha, que qual vendaval, leva tudo com os porcos, tirando daqui, cortando de acolá, amputando os que dela não se conseguiam defender. MATec foi por isso decepado de raíz... Sobraram, no entanto, uns quantos, valentes todos eles, para contarem a estória. No entanto, a própria da História, matreira como só ela sabe ser, toda ela pimpona, emperuadamente cheia de tempos e eras e períodos, até, imagine-se, anais da mesma, que só se sente bem quando muito passa, porque sem esse muito não há história nem estórias, nem livros, ora pois, coisa de que ela se vangloria e tanto aprecia, tinha que vir fazer das suas, para esse mesmo muito passar e vingar assim nas suas narrações.
Já dizia o poeta, que "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", e o que ele não sabia (boa época aquela!) era que há muito mais ainda passível de ser mudado... Entre camisas, cuecas, mobília e empregos, famílias, praceiros e sexo, muda-se de tudo à vontade do freguês!
MATec, meus caros, não foi excepção... Mudaram-lhe o género, a designação, o local. Certamente, não nos quiseram acabar com o curso para agora fazerem isto, mas numa coisa deviam ter sido cuidadosos: feira, já foi sendo de quando em vez quando MATec era nosso. Deviam-nos dar o devido valor no que toca a substantivá-lo (a)...


(clicar para aumentar)


terça-feira, 29 de setembro de 2009

Para quando...


... uma chiclete que não se cole aos dedos quando a tiramos da boca?


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Episódios de um Episódio de Consulta Hospitalar


Ir ao Hospital a uma consulta, é...


... ter que estar lá meia hora antes da hora da consulta, só ser atendida 50 minutos depois da hora marcada, e estar 5 minutos no consultório.

... darem-nos o recibo a confirmar o pagamento no dia X às tantas horas... numa cidade completamente diferente daquela em que estamos (a saber, entrados no Hospital de V. N. Famalicão, há um buraco negro que nos transporta para Santo Tirso. Aliás, o que é óptimo, caso seja preciso provar onde nos encontrávamos às tantas horas do dia X...)

... ter a televisão da direita na RTP1 e a da esquerda na SIC, e ser hora de dar telenovelas em ambas, numa estereofonia absolutamente desconcertante.

... ter a senhora da limpeza a tentar meter conversa com tudo quanto é gente.

... ver gente de batas e fatinhos azuis, verdes ou brancos a andar dum lado para o outro sem nada para fazer. Ou com muito para fazer mas sem vontade nenhuma. E sem o fazer, claro...

... ver o sinal fotoluminescente do extintor... em cima da máquina do café. Atirado e perdido lá por cima... A ganhar pó... Sem extintor por perto...

... no fim da consulta ter que ir para uma fila que demora mais que a própria da consulta (não que seja difícil...), e ter um casal de tonos com o filho gordo e um amigo tono com o filho, nas palavras do pai, "seco", em que numa conversação, a cada cinco palavras ditas, nove são palavrões, porque
"-onde está o cuaralho do moço, p*ta que pariu que ainda agora estava aqui! 'Tá gordo com'ó cuaralho, filho da p*ta que até já pus um alquete no frigorífico pa ele deixar de comer!"
"-olha c'ó meu só lhe falta bater pa ele comer! Qu'inda pensam mas é qu'um gajo num dá de comer ós filhos!", que
"-p*ta que pariu pa isto, que um gajo num sai daqui, que é análises e exames e mais a m*rda, e um gajo tá sempre no hospital!"
"-e depois o meu só quer é porcarias! Come pouco e só gosta de bumlicaos e coca-colas, E olha qu'isso te faz um bem do cuaralho!"
"-e isto num anda?! Lá pá m*rda...! E agora que vai p'ó ciclo vai ser inda pior, que lá c'o bar... -Num leva dinheiro!
-É!, e vai ser diferente dos outros!!!", e
"-oh mãe aunda, oh mãe aunda, oh mãe aunda!"
"-num bês qu'eu 'tou na fila, cuaralho!", e entre dasagrados e inquietações, bufam 500 mil vezes para cima do meu pescoço, e a paciência que eu tão bem fui fazendo render, varre-se-me toda ali, e se não chega depressa a minha vez, ainda sou eu que me viro para trás e mando duas ou três car@lhadas e "afastem-se de mim, parece que não ouviram falar da Gripe A!", não que nesse momento seja isso que me apoquenta, simplesmente tenho aversão a bafejos de gente que nunca vi para cima do meu pescoço!
Mas lá me posso chegar ao blacão, e a senhora atende-me com um sorriso absolutamente despropositado para o estado em que me encontro, e pelo emprego sufocante que deve ter, numa simpatia só passível de ter sido buscada na gravidez que em si contém, e em todo aquele brilho que até chegava a incomodar, de tão desfasado com a realidade estava...

... ter que ir marcar um exame à outra ponta do Hospital, e ter que voltar para trás para sair, e ver o Sol novamente...


Mas, ainda assim, não há nada como um Episódio de Consulta no Centro de Saúde!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Celebrações

Celebram-se este ano os meus 20 anos de carreira!

Não percebo porque é que a Judite de Sousa ainda não me convidou para uma entrevista. Afinal, não há tantos quanto isso que atinjam este patamar...

De vocês, espero pois congratulações à minha pessoa, em forma de géneros (tudo menos roupa interior usada e, principalmente, ainda quente), vénias e gritos histéricos quando me virem passar.


(oportunamente será divulgada a calendarização das sessões de autógrafos)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

FCUP no seu melhor! (sem ironias à mistura)

Teve ontem lugar na mais prestigiada Faculdade do Mundo, quiçá da cidade do Porto, aquilo que eu acho ser o apontamento mais delicioso de toda a História Académico-Politica da Faculdade.

Quando os tempos eram outros, e eram precisas palavras de ordem, e gritos e demandas, e Frentes Revolucionárias, estampados todos eles do desagrado Estudantil, era, pois claro está, a comunidade estudantil que se insurgia. Quis no entanto que a modernidade eminentemente fervilhante, quer dos métodos e meios -de ensino e de estruturação das faculdades-, quer de toda uma mentalidade e governo de um País, tornasse as ditas lutas primeiro, menos interventivas; segundo, menos frequentes; terceiro, menos necessárias (não quero, dizendo isto, ir contra ideias e vontades e intenções políticas de quem quer que seja! Digo-o até com toda a imparcialidade que me é possível. Deixo a opinião de cada um com cada um, e nem sequer farei saber (mais...) a minha, até porque nem é isso que está aqui em causa).
Todavia, no que toca a estes tempos, até virem outros, modernos, as coisas já não se passam bem assim. E é aqui que entra a Faculdade de Ciências (até mais conhecimento por minha parte, única), ou então a Comissão Nacional de Eleições. Passo a explicar: teve então ontem lugar o assim designado "Teste Diagnóstico de Matemática", teste esse que, e passo a citar, "é uma prova de aferição de conhecimentos fundamentais de Matemática, cujo principal objectivo é identificar carências de carácter elementar na formação dos alunos", enquadrando-se n'"um conjunto de iniciativas que pretendem ajudá-lo a iniciar o estudo nas disciplinas de Matemática das várias licenciaturas, de forma rápida e bem sucedida. Em particular, os resultados do teste diagnóstico poderão sugerir a frequência do curso de pré-cálculo, para o ajudar a superar eventuais carências na sua formação." E quem está sujeito a essa prova de aferição dos conhecimentos fundamentais de Matemática? Como é bom de ver, todos aqueles que foram abrangidos pela política do facilitismo no ensino da dita cuja, ou seja, todos os alunos que se inscrevem pela primeira vez nas licenciaturas da FCUP no ano lectivo 2009/2010.
O que mostra a FCUP aqui? Primeiro, um profundo desacreditar em todos os 14's, 15's e 16's com que a Matemática de muitos foi cotada. E ainda, um bota-abaixismo a toda a política educativa dos últimos anos. Eu não podia estar mais de acordo! Até porque no meu tempo, a Matemática ainda era ensinada nas escolas como o deve ser: correcta. E as nossas notas correspondiam ao que de facto, sabíamos.
Quanto à CNE, pode muito bem ter metido o bedelho na coisa, já que não tendo os putos podido votar nas legislativas anteriores, "deixaram" que alguém escolhesse por eles, e então, tramando-lhes assim a vida, força-os a ir votar nas que estão aí na calha, para que podendo, não percam a oportunidade.

Genial!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Início de Emissão

Estou de volta! Mas com muita preguiça... Por isso, um dia destes que não hoje, virei escrever qualquer coisa...

E oh!, o que eu tenho para dizer!!!

sábado, 1 de agosto de 2009

Interregno Estival

Sendo este por excelência o mês de férias de toda uma comunidade portuguesa espalhada pelo Mundo e pelo próprio do Portugal, não podia eu deixar de aproveitar este 1º de Agosto para desejar umas boas ditas cujas a todos quantos as vão gozar.
Quero só deixar um pequeno conselho aos mais atrevidotes: tenham cuidado com as porquinhas, que diz que elas andam engripadas. De mais a mais, e se forem para o estrangeiro, lembrem-se de espirrar para o ar para deixarem lá os vírus e não os trazerem nas covinhas dos cotovelos, e do período de 7 dias aquando do retorno antes de manterem algum contacto comigo.

Meus caros, Boas Férias.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Línguas

Não acham suspeito, de estranhar, perturbador até, que a palavra lingerie seja muito -demasiado até- parecida com o verbo lingere ("lamber", em latim)?

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O timming (ou a falta dele) das publicidades

-Sabes a D.ª X, aquela senhora que costumava estar no nosso sector, na 3ª ou 4ª barraca, sempre muito bem arranjada, muito bem vestida, muito bem penteada?

-Sim...

-Este ano não apareceu. Tem um tumor cerebral.

-Xi...

*silêncio*

-Gostaria de atingir orgasmos mais facilmente?

terça-feira, 28 de julho de 2009

E o vencedor é...

Os moradores, não são certamente, porque para além de todo o barulho e vibração a que foram sujeitos, ficaram pior servidos, a meu ver pelo menos, mas eu também sou uma reivindicativa, gosto mesmo é de resmungar com tudo...

Mas o que interessa mesmo, pelo menos para os únicos dois meninos que participaram no concurso que teve lugar neste blog (hão-de haver muitos mais, hão... Com participações e adesões massivas como esta, podem esperar muito de mim...) é o resultado final. A cor que me circunda os dias (e as noites, que ainda por cima aquilo parece que brilha...).
Antes de mais, só duas considerações: não o fiz mais cedo, porque o meu modem anda numa de pedir atenção e mimo, numa de protagonismo desenfreado, que a cada minuto vai abaixo umas 37 vezes, quase tantas quantas as que eu consigo ser exagerada. Mas enfim, não tinha condições...
Segundo, é só um conselho: depois de verem as fotos, não mais conseguirão desvê-las. Apartir daqui estão por vossa conta e risco...
Posto isto, aqui vai:




Sim, é verdade, a cor é mesmo a da FEUP, valha-me a minha sorte e a falta de gosto que não tem limites... Sendo assim, ninguém ganhou, quanto mais não seja porque seguiram as regras à risca, e pelo menos têm isso para vos mimar o ego.
Já eu, um dia destes, estou a pensar fazer uns riscos paralelos à guia do passeio, e convidar o Obikwelu para treinar nesta nova pista de tartan...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Na FCUP é possível! II

Na FCUP é possível ter um exame às 9h e serem 9h05, 9h10, 9h15, 9h20, e professores de grilo. É possível serem 9h25, 9h30, e professores ainda de grilo. E é possível serem 9h35, e alguém ir dar com eles no bar, a saborearem languida e prazenteiramente de um pequeno-almoço como só um bar de faculdade pode proporcionar, num estado de desconexão do Mundo como poucos -só os loucos, vá...- podem gozar...

Sim, na FCUP, nós conseguimos...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Concurso

Proponho-vos um passatempo, um pequeno achega de descontracção, um breve momento de pagodice.
Antes de mais, reparem que nos dias que correm, raro é o concurso que não é taxado com valor acrescentado. Ora pois remeto-vos desde já para o facto de este ser totalmente grátis, o que por inerência, vos devia já impelir a participar, no mínimo, umas quantas caziliões de vezes!

A pergunta é então a seguinte:
Qual a cor dos novos passeios da minha rua?

Há apenas uma regra: não podem dizer "cor da FEUP", porque eu não gosto de certo tipo de linguagem... De resto, desde arrancar olhos a levantar falsos testemunhos, vale tudo! Faço só menção ao que é por demais óbvio, quem vier cá para ver antes do concurso estar encerrado, fica desclassificado.
Quanto ao prémio, é tão somente o regozijo pessoal de terem acertado e ganho, e a constatação pública de tal facto (estou umas mãos largas, credo!)

Agora, é convosco...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Molin Rouge

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Política em Portugal



Tanta coisa, que mal sei por onde lhe pegue!...


Primeiro, não percebi... Eles lá são todos umas vacas, ou acham-se uns touros? Ah... Se calhar os cornos já são é "arma de arremesso político"... Ou o Manuel Pinho está numa de tirar o emprego à senhora do canto inferior direito.
E por falar em "emprego", viram bem como se "diz" "emprego" em linguagem gestual?!


Estamos todos bem ph*didos é o que é...

Piu Piu


Muitos me perguntam porque não tenho twitter. A razão é simples, meus caros: a maior parte das vezes, não me consigo expressar em 140 caract

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Na FCUP é possível!

Mais uma rubrica trazida à luz por este blog, patrocinada em jeito de desconhecimento pela parte integrante da mesma, a própria da FCUP. São coisas que no dia-a-dia e em qualquer sítio que não a FCUP -incluindo o Entroncamento-, são impossíveis, mas que por esta faculdade acontece com maior das naturalidades.

Já houve casos não intitulados deste modo, mas que se tiram bem pela pinta que a isto se referiam, como sendo fazer exames no bar ou fazer rascunhos nas costas de folhas de exames porque folhas de rascunho per se qu'é bom, ninguém quer, assim que me lembre de repente.

Desta feita, apresento-vos a mais recente, pontuada de uma espectacularidade tremenda nunca antes vista: a minha cota de impressão!!!


Porque somos uma Faculdade de Ciências e apostamos por isso na precisão, as unidades na FCUP não são arredondadas e vêm com uma precisão na ordem das décimas!
Jovem, tu que queres ser cientista quando fores grande, não vás em tretas, junta-te a nós!

-Não dispensa a consulta do prospecto. No caso de não compreensão é escusado consultar o seu médico ou farmacêutico, que eles não são cientistas, o mais natural é que também não compreendam-

AA

Acordou feliz. Ora então porque não haveria, estavam na calha os 30 dias de sobriedade.
Nos primeiros dias, até as horas, até os minutos se contam, que o tempo é lento no passo, custa, arrasta-se, é preciso a gente dar-lhe força, "vá, tu consegues", um minuto agora, um minuto depois, não tarda está uma hora passada, não há-de tardar e chega a noite, e com a almofada como rede de segurança, vai ser vê-lo correr desenfreado!
O fim da primeira semana chegou, e apesar de tudo, confessa agora para si mesma com um certo espanto, calmamente. Mais uma e outra, e já havia no ego um roçar em jeito de mimo, que só a sensação de dever cumprido, de objectivo atingido dá, e daí a nada já se faz a contagem decrescente para o mês, "que espectáculo!, nunca pensei aguentar", essa fasquia lá no alto, que tanto exige quanto sabe bem.

Um dia no início encerra nele muitas coisas. Tantas, que nem nos passam pela cabeça. O que à primeira vista é corriqueiro, é só mais um, é "normal", vai não vai e dá mil voltas e mais uma e nós nem nos apercebemos como aconteceu: quando damos conta, já é em cima do acontecimento. Já é tarde. Não é que devamos andar sempre desconfiados, a perscrutar becos e ruelas por ocasiões a espreitar com embustes prontos a ser lançados, com tropeços desta ou daquela vida que se vão interligando ou, simplesmente, cruzando com a nossa, com tempos por passar e vontades por cumprir. Mas o mal, é que tiramos muito peso à unicidade dos dias, e com a leveza vem a banalidade, esse que é o primeiro passo para sermos apanhados de surpresa, em jeito de calças para baixo, sem hipótese de correr.
Esse que só estava para ser lembrado no final, porque já tinha passado, porque só se festeja no fim, depois de acontecer, foi conduzido sinistramente por cordelinhos invisíveis mas intrincados, avassalado por uma força bruta como quem leva com um camião contra o peito.
O problema nem teve na fraca visibilidade, isso nem se verificou, que a rua de onde surgiu era larga e recta, sem perpendiculares matreiras. Devia estar a contar com isso, mas de cada vez que o equacionava, sentia-o tão distante em termos de possibilidade, que varria-o logo da ideia "eu estou mas é a divagar!" E com essa auto-confiança tão facilmente abalável como bandeira e escudo, cedeu, caiu, deixou-se apanhar, e se ao menos tivesse gozado da sensação ébria do momento, ainda todo o joelho esmurrado e nariz partido teriam sido para alguma coisa, algum proveito. Mas dali só tirou a possível e dedutível ressaca dolorosa, merecida no fim de contas, que lhe valeu um chicotear auto-flagelante, um "bolas, não valho mesmo nada, tinha-me em melhor consideração", um ir abaixo e na descida, um deitar fora da força acumulada até então.

Probabilidades

Qual é a probabilidade de, tendo acordado com uma música na cabeça; tendo andado a manhã toda com ela a batucar o sub-consciente, até mesmo em alturas em que devia reinar a concentração, ela aparecer sub-repticiamente com laivos da sua graça despropositada; até depois de ouvir outras músicas, ela continuar impassível, passar por nós um carro com essa mesma música aos berros? E ainda estando toda esta probabilidade condicionada ao facto de a música ser esta?:





Resposta: Num dia como o de hoje, é acontecimento certo...

(Aqueles que acertaram na resposta, podem dirigir-se à recepção, acompanhados do nome, número do cartão de eleitor e boletim de vacinas, que temos prémios para oferecer...)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Boca de barulho - os que não se puderam salvar


Eu acho que nós devíamos participar no "Salve-se Quem Puder".

Se eu não tivesse já passado a vergonha e a sensação de nudez inerentes ao facto de
estar enfiada num fato justinho frente a poucos mas suficientemente alguns de vós, e se o programa não passasse em horário nobre ou qualquer outro mais plebeu, inscrevia-nos já a uns quantos, mas sendo assim, excluo-me desde já daquele "nós".
No entanto, proponho-vos um exercício de
imaginação (aos que podem... E conseguem...): uma equipa com a Marta e o Topo sendo que, obviamente, o terceiro elemento para além de poder ser qualquer um, era claramente suprimível. Eu digo a Marta e o Topo, porque são as pessoas que, assim de caras, têm uma aparente (no caso do Topo é clara) desconexão entre a elasticidade e a coordenação de movimentos, bem como fraca amplitude dos mesmos. Já para não falar na interacção Diana Chaves - Topo, das subsequentes calinadas e maus-tratos ao Português deste último, e dedutíveis reparos em jeito de resmungo enraivecido, com fumo a sair pelas orelhas e um ruborzinho facial exacerbado por parte da Marta...

Foi só uma ideia... Mas acho que devíamos...

sábado, 27 de junho de 2009

Tarde demais


No que toca a Michael Jackson, é impossível fazer-se humor negro...


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Homenagem

terça-feira, 23 de junho de 2009

BUS

É sabido que eu não ando de autocarros. Não gosto. Raras são as vezes em que me posso sentar, e delizo por conseguinte dum lado para o outro qual bola de pinball; a atmosfera é pesada, com todas as respirações aprisionadas contra os vidros, já para não falar do resto que, no Verão, se desoprime dos corpos, (e no Inverno fica-se mais molhada numa viagem de autocarro do que a mesma viagem feita a pé, tantos são os roçares de guarda-chuvas e sacos das embalagens de café, e casacos e... gente...); é muito toque para aqui e para ali, que às tantas já não sei se me preocupar com a carteira se com a dignidade... Há, no entanto, é certo, as teorias das mulheres arreigadamente Portuenses, com todo o respeito, tripeiras mesmo, que nas manhãs se destravam, e a alto e bom som que é, afinal, o único tom de voz que conhecem, falam para todo o autocarro ouvir. Delicia-me, é um facto. Quase que me faz esquecer o resto, também. Mas lá acabam por sair umas paragens antes da minha, e lá vou eu mal-humorada o resto da viagem.
Há depois os motoristas... Há aqueles que têm o seu mundo aparte tudo resto. Um casulo protector que os defende das iniquidades alheias, único escudo que lhes permite levar o dia em diante. Há outros que têm na resinguice, mau-humor e derivados, a couraça que respinga à mínima coisa. Há ainda o meio-termo, homens que felizes com o emprego que têm, metem conversa, conhecem todos os senhores António's, Anselmo's e Manéi's, todas as donas Maria's, Joaquina's e Guilhermina's, fiéis ao serviço daquela linha, cuja esposa "está melhor, muito obrigado, graças a Deus, já anda mas ainda devagarinho, mas o xô tor disse que levava o seu tempo", cujo marido "teve outra crise renal, como me custa vê-lo assim, que nem para a feitura das precisões tem sossego", cujo cunhado da prima da vizinha "já se meteu outra vez por maus caminhos, e desta vez arranjou uma cachopa que é tão ou pior que ele", "que os meus dois netinhos, que riqueza, já saem do hospital amanhã, coitadinhos, tão pequeninos que eles eram, mas agora com as técnicas que eles têm, correu tudo bem, muito obrigada por ter perguntado".
E depois, há aqueles que só mesmo a mim...
Quis a inteligência de algum iluminado, algures no passado da história, inventar as faixas de BUS, porque a) premeia quem escolhe os transportes públicos face à viatura própria, e b) ajuda ao fluir do tráfego, que os monstrinhos dos autocarros não andam a criar fila a atravancarem tudo. Quis no entanto Deus Nosso Senhor, quando a distribuiu, que a dita inteligência não fosse para todos. Azar o meu, ora pois mas com certeza, que o último motorista que me saiu na rifa tivesse disfarçado de banana aquando da dita distribuição, e assim tenha perpetuado
ad aeternum.
Eu até tive a sorte de arranjar lugar sentada. O autocarro até estava, pode-se pôr nestes termos, vazio. Não havia velhas, nem cheiros, não estava calor nem chuva, somente a minha pressa e eu numa viagem que se queria curta e rápida. E não é que, com a porcaria da faixa dos BUS mesmo ali ao lado e vazia, o desgraçado do motorista se mete pela outra?! E, pior!, não é que chegados a uns semáforos, está vermelho para os carros e verde para os BUS, e ficamos nós ali parados, e todos os outros BUS a passarem por nós, um carro da BT, inclusivé, toda a gente a rir-se do "200 Bolhão"?!

Ele há coisas que, de facto, só a mim... Sinceramente!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Rali Transibérico

Constou-vos que era até 21 de Junho? Enganaram-vos... Ainda falta uma especialíssima: A Minha Rua, também conhecida por "vêm aí as eleições autárquicas, vamos gastar o dinheiro e a paciência dos munícipes em obras de fachada. Porque arranjar o que está bom, não tem projecção nenhuma, mas desfazer o que o antecessor fez para agora fazermos diferente (e pior, muitas das vezes...) isso é que sim!"




sexta-feira, 19 de junho de 2009

Expressividades...

Os seus filhos maçam-no? Já não sabe que mais fazer deles? Este fim-de-semana era mesmo "o" fim-de-semana para passar longe de tudo, a descontrair, beber um copo de vinho à tardinha e romantizar o resto da noite, e tem os miúdos à perna a querem ir ao Oceanário, à praia, ao pick-nic do Tony Carreira? Não sofra mais! Na edição on-line do Expresso, contamos-lhe tudo sobre como se desfazer dos catraios!


Expresso, o seu novo roteiro de fim-de-semana.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O mar de V.N. de Famalicão

Estou em perfeitas condições de admitir sem margem para erro, que V.N. de Famalicão tem mar. Passo a explicar: saio eu de casa (quem sabe onde é, sabe; quem não sabe, temos pena...) e está Sol. Não muito, OK, é certo, que madrugar custa a todos, mas ainda assim, Sol quente em pronúncio de um dia bom e solarengo. Prossigo na minha caminhada, escoltada pelo Sol e um certo calor que proviria certamente da minha excessiva pressa, e eis que quando começo a topar ao longe a zona da estação, denoto uma certa cinzentez no ar. Cada vez mais perto, cada vez mais nevoeiro, cada vez mais frio (menos calor, para ser mais exacta, talvez). Sabeis vós que nevoeiro é típico de espaços à "beira-água" (não quis descriminar nem o rio nem o mar...). Outra coisa bem típica, pelo menos no antigamente, era o cheiro a esgoto que em dias de vento desfavorável nos prendava. Pois bem, a dois passos da estação, o nevoeiro corria em linhas bem definidas, e o dito cheiro era mais que bem patente. Mais provas não preciso, V.N. de Famalicão TEM mar, e é na zona da estação. O cheiro a esgoto já não se usa, eu sei, mas também somos novos nisto de ter mar, merecemos um desconto...

E a minha sorte

Muito menos empolgante ou grandioso que as sortes entre amor e jogo, que lá diz o povão, andam sempre de costas voltadas -que nem sequer entro por aí, que têm-se visto as minhas, que nem dum lado nem doutro...- há coisas muito mais corriqueiras e vulgares, coisas nas quais a minha pressuposta estrelinha falha incomensuravelmente. Falo pois das mesas. Calha-me sempre, mas sempre, uma mesa coxa. Já não me lembro do dia em que, sozinha numa mesa de quatro pernas (porque, felizmente, muitas das mesas que ultimamente me servem, são corridas, em jeito de anfiteatro), ela não desatou a abanar ao mínimo toque, ao mais pequeno deslize da caneta. Quantas vezes já tive que pedir, em exames e testes e afins, "uma folha de rascunho para calçar a mesa"; quantas vezes não tive já que arrancar uma folha do caderno para, pois claro, calçar a mesa, e no dia seguinte chegar à mesma sala, ao mesmo lugar, e ver que as empregadas, para mostrar serviço, tiraram a folha, a mesa continua a abanar, e o cotão ao correr do rodapé ainda lá está todo, como que a rir-se da minha desgraça.
É particularmente chato quando isto acontece num exame. Principalmente quando não há folhas de rascunho, é, no entanto, preciso fazer rascunhos, e tem que se usar as costas de outra folha de outra parte do exame para o fazer, e depois se tem que apagar com a borracha (um comentário a isto dava pano pa mangas, costas e frentes duma camisola para o Jô Soares, mas também não vou nem entrar por aí...). Reza um silêncio compenetrado em toda a sala. Nem carros se ouvem, somente pássaros que alheios ao mundo dos humanos, são felizes em galhos e voos. Um cão ladra lá fora. Um jovem espirra cá dentro. E de repente, PUMPUM PUMPUM PUM, a minha mesa abana como que possuída pelo Ricther mais a escala dele, numa criação conjunta de mais um nível. Acrescente-se-lhe pois o facto de a minha letra ser, assim em traços gerais, incompreensível. Digamos que se fosse um requisito necessário para ingressar na carreira médica, a esta altura eu já era Professora Catedrática na mais prestigiada Faculdade de Medicina do Mundo... Agora imaginem quando a mesa abana em compasso alternado ao meu escrever... Se eu reprovar no exame, vou culpar a mesa.
Bem sei que dizem que a dos coxos é mais comprida. Falo, obviamente da longevidade, que mais haveria de ser, e logo vindo de mim!... Pois eu posso bem comprová-lo, mas ainda assim, não me consigo habituar. E, além do mais, sou óptima a arranjar desculpas!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

FENOMENAL!!!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

1/4

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Ajuda


Media Player: um conselheiro sentimental, um dotado tratador de animais em cativeiro a expandir horizontes, um Viagra sem efeitos secundários...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Perigos da Selva Urbana

Os automóveis, a poluição, os fumos e sirenes e barulhos; o stress, as pressas, os velhos que não andam, as pombas que voam rasantes, os taxistas sem paciência e os condutores de bus sem cuidado; as pontas de cigarro atiradas sem se ver para onde, as coisas viscosas de pulmões em mau estado e gente em fraco asseio, as chicletes no chão; os cães rafeiros, os presentes destes e dos parentes tão próximos no comportamento das vontades quanto afastados na origem, os putos parvalhões, os piropos dos trolhas; os semáforos de luz em tons laranja, as passadeiras invisíveis; os charcos de água quando chove e a falta de árvores e sombra quando está Sol; os loucos, os pedintes, os pedinchões, tudo isto já todos conhecem.
Mas os Porto, por ser nosso e não só, ainda tem turistas e máquinas fotográficas em punho, e gincanas obrigatórias e não delineadas, se não queremos aparecer na fotografia. Que há monumentos e monumentos e alguns, os que não aparecem nos guias turísticos, são para continuar assim, incógnitos...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

O Amor é uma fervura/ Que a saudade não segura/ E a razão não serena


-Valeu a pena, pelo menos...?

-Huh?!

Já nem se lembrava de que ali estava. Era fácil a cabeça vaguear-se-lhe para longe. Tinha tantas vontades, tantos quereres, tanto onde e com quem estar, que o tempo não lhe chegava para tudo. Às vezes fazia o exercício de pensar "e se agora, eu não estivesse aqui, mas noutro lugar?", e lá ia passear pelas ruas intrincadas da imaginação, tão-pouco dando-se conta de que o corpo permanecia no mesmo sítio.

De súbito, os cheiros, familiares como eram, a café torrado e a madeira humedecida pelas gotículas da chuva que se esgueiravam para dentro de cada vez que se abria a porta e que nas paredes encontravam descanso, finalmente aquecidas por gentes e respirações, vapores e luzes, ligaram-lhe a capacidade cognitiva. As luzes desenharam as paredes da sala, amarelo-acastanhada, soturna em dias como aquele; os sons fizeram-se em conversas nas mesas vizinhas, àguas ferventes e borbulhantes, e deu-se conta de onde estava. Uma sensação de aconchego percorreu-o.
Não que não quisesses estar ali. Mas era-lhe tão fácil a mente vaguear-se-lhe para longe...


-Se valeu a pena! Como diz o Rui Veloso, "se tiver de ser, ao menos que valha a pena"... Valeu a pena?

Num silêncio de quem repete para si a pergunta e lhe tenta tirar o sentido à força da repetição -tantas vezes que já o fez e não resultou!-, conseguindo não mais que lhe descobrir os meandros; de quem sabe mas não quer dizer, com medo de que as coisas se tornem mais verdadeiras só por saírem da boca para fora, só quando saem da boca para fora; num silêncio que não corre por mais que se estique, que tanto se quer perpetuado ou fulminante, cresce a voz num grito pouco mais que mudo, tímido e penitente:
-Não...


Ela fez-lhe um aceno contido, levantou-se mal arrastando, quase deslizando acima do chão, suspensa por uma qualquer força invisível a cadeira e saiu.

Lá fora o frio de Inverno era cortante. Arrasava as orelhas e a cara, e num aconchego que se queria de outros braços, guardou-se nos seus próprios e desceu a rua, travada pelo vento mas impulsionada pela vontade, levando somente a certeza de que aquele seria, a partir de então, mais um lugar desfeito, morto para sempre...

terça-feira, 12 de maio de 2009

Eurofestival da Canção II

Aqui há atrasado -o ano passado por esta altura, mais coisa menos coisa-, falei muito bem da nossa música eurofestivaleira, e do quanto achava -ainda acho- que ela apelava ao sentimento Português, que transpirava alma Lusa por todas as semi-breves, colcheias, claves e tudo o que mais a fazia. Continuo a gostar imenso dela. Chegamos mesmo a ir longe com ela, se bem me lembro tão longe quanto nunca.

Qual não é pois o meu espanto quando, este ano volta a surgir uma música fantástica!





Se a outra era alma, esta é o compassar do coração; se a outra era sentimento, esta é todas as necessidades arrebatadoras de sorrir; se a outra apelava a dores antigas, de perdas de quem muito se quis, esta dá vontade de encontrar alguém para lha cantar!
Eu, pelo menos, assim que apanhar um a jeito, cantá-la-ei, e daí só esperarei um futuro embalado por ela, já que a minha costela romântico-depressiva-o-badalhocamente-icompreendida, já tine, já todo o corpo se me baloiça com este som!

Sinceramente, não pensei que fossemos tão longe -e sim, uma final do Eurofestival já é um marco histórico-, porque acho que a música (a letra, principalmente), não é de nada fácil compreensão aos estrangeiros, e nestas ocasiões, tende-se tirar importância aos quê's inerentes aos países. Ainda para mais a jovem que a canta (Daniela Varela, ao que parece) estava incrivelmente nervosa o que bem se notou na voz dela (sim, eu vi o Eurofestival. Não todo! Só pouco mais que a nossa prestação. E aproveito para me queixar tão publicamente quanto isto me permite, que é uma vergonha um Eurofestival sem Eládio! Tenho dito...), mas só o termos (enquanto povo e no sentido mais global possível, já que não tive nada a ver com isso, pois consta que as únicas vontades que contam são as que se fazem em telefonemas...) tido a decência de a levar ao Festival, já me bastou. Sim!, porque houve para aí muito energúmeno que querer, queria era a Luciana Abreu, mais a palermice teatral "tenho mamas, e elas bastam-me"! Valha-nos a sagacidade de poucos, mas influentes...

Mas pronto, lá vamos. E ainda bem. Fico muito contente.

De mais a mais, e em jeito de repetição do ano passado, esta música é que ficava bem cantada por uma tuna que eu cá sei... Ouvissem-me elas, e oh! a quantidade de coisas que corriam melhor...

domingo, 10 de maio de 2009

Está escrito na cidade...

-You just haven't figured it out yet, have you?
-What?
-It, you know, IT, the big picture!
-Guess not...
-The Beatles!
-What about them?
-This... Look, other bands, they wanna make it about sex or pain, but you know, The Beatles, they had it all figured out, OK? "I want to hold your hand" (...)

do filme "Nick and Norah's Infinite Playlist"



quarta-feira, 6 de maio de 2009

E as frases da Queima...

-Tens que chupar e trincar.
-Isso não, que ouvi dizer que dói...

Eu estava aqui a pensar... onde será a minha trombinha?!

Oh Marta!, a tua coisa está húmida!!!

Eu até acho que ainda não sei o que é uma -como é que se diz?- pichota...

Mas 28 é múltiplo de sete?! 28 É MÚLTIPLO DE SETE?! (e os estúpidos éramos nós, que estávamos confiantemente a dizer que sim...)

(acerca da falta de luz): Se este ano é assim, para o ano a música vai ser em Braille!

E, como pièce de résistance, "o teu popó no meu pipi"...


Sintam-se à vontade para alargar o rol... Eu acho que, assim de repente, não me lembro de mais nenhuma...

sábado, 25 de abril de 2009

E diz o Sócrates...

"O que eu me comprometo a fazer, é trabalhar todos os dias para que as futuras gerações tenham mais oportunidades do que eu." (Jornal da Tarde, RTP1, 25 de Abril de 2009, 4'12''-4'18'')

Não, é que de facto acabar(?) um curso ao Domingo, e só se poder ser Primeiro-Ministro, é duro...

Que o beato Nuno salve a minha geração de tal! Antes acabar no desemprego ou quê... Dasse!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Sinais dos Tempos


É triste pensar que nos tempos dos Reis e seus Exércitos, Cruzadas e outros que tais, as armaduras eram o único
hardwear que havia...

terça-feira, 21 de abril de 2009

O caso da supra-numerária

Sala de aulas. À pinha, muito à pinha, o que até nem interessa para o caso... Eis que, do aparente nada, e a meio duma explicação, o docente se sai com um "Alguém viu por aí uma lapiseira supra-numerária?"

Tendo eu uma caneta na minha mesa, aparecida não-sei-de-onde, e com ar de esquecida, que até sem tampa estava, e não estando habituada por aí além a que chamem "lapiseira" aos lápis de minas -cá na terra, "lapiseira" é "caneta"!-, prontifiquei-me pois a elevá-la à força de braços e a dizer um "está aqui uma..." Ainda não tinha acabado de dizer a frase e a) o professor encontra o tal LÁPIS dele, e b) a cachopa ao meu lado estava atónita a olhar ora para mim, ora para a caneta, ora para mim, ora para a caneta... Preocupei-me, é certo, porque vi logo ali uma adversária, alguém que tinha dado conta da minha sensualidade pouco disfarçada ao dirigir a palavra ao professor e que não se sentia bem com isso. No filme que já se estava a desenrolar na minha cabeça, estávamos já, eu e ela de frente uma para a outra, distanciadas por um chão poeirento iluminado por um Sol abrasador, de olhos piscos a tentarmo-nos aniquilar com a força da mente, porque sim, eu tenho um fetiche com aquele professor, não sei bem porquê (acho que tem qualquer coisa a ver com o facto de já me ter preparado psicologicamente para daqui a uns tempos lhe mostrar algo mais que capacidades intelectuais para entrar num Mestrado...). Já estava eu a medi-la de alto a baixo, de soslaio e com o meu olhar de superior, e eis que ela se pulveriza automaticamente, quando não se detém e pergunta à coleguinha do lado, com o ar de quem acabou de ouvir que afinal o Mundo é de facto e comprovadamente, um rectângulo: "o que é uma lapiseira supra-numerária?"

Tivesse eu uns ditos cujos para cair, e ter-me-iam caído logo ali! Como é que é possível que se chegue à faculdade e não se saiba o que raio quer dizer "supra-numerária"?! Pior do que isto, só mesmo o outro que não sabia o que eram "aqueles números entre parêntesis depois da vírgula"! Mas a mim só me calham abéculas, não só?

A amiga do lado pois, sabia tanto quanto ela, e a cachopa lá voltou a olhar para mim, ainda de boca aberta, a pensar que "supra-numerária" devia querer dizer "sem tampa", e a esta hora ainda devo ser conhecida pela "miúda que sabe termos estranhos para designar coisas mais que corriqueiras"...

E ainda achava eu que ela ia ser uma adversária... Parece-me que tenho mesmo é que me preocupar com o jovem, e repito o jovem, que diz que -e depois do professor ter dito que não é garantido subir-se a nota nas orais, podendo mesmo descê-la-, que "ai, eu numa oral subia logo a nota! Logo eu! Deixava cair o lápis sem querer e oh, já estava", o que quer que isto queira dizer, apesar de eu conseguir pensar em muita coisa, mas não quero sequer ir por aí...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Pensamento do Dia

O


"A vida é como uma pila: quando está murcha, de pouco vale; quando está dura, fode-nos."

Samuel Shem, A Casa dos Deuses

sábado, 18 de abril de 2009

Problemas matrimoniais


Os cromossomas homólogos entram em processo de separação quando se gregam.


sexta-feira, 17 de abril de 2009

E a produtividade de certas aulas práticas...


Se a Muralha da China ardesse, era a maior
firewall do Mundo!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Mas nós somos Brasileiros ou somos Portugueses?!

Primeiro, o Acordo Ortográfico, que não nem vou falar dele...
Agora, chuva e Sol ao mesmo tempo!!!
Mas nós temos praias com areais imensos, quentes todo o ano? Marginais conhecidas aquém e além fronteiras, fotografadas em postais e suspiradas em jeitos de desejos muito mais que culturais, com canções a elas dedicadas? Temos cidades com toponímias que fazem, por si só, mover-nos o corpo? Temos a dança, de ritmos quentes feita, viva e presente na cultura e nas vontades? Temos gajas boas de biquínis reduzidos, corpos masculinos bem desenhados, de tez brilhante e dourada, com sunguinhas a tornearem o que Deus Nosso Senhor, com toda a propriedade a que Lhe assiste, lhes deu? Não temos, pois claro que não temos! Então porquê, mas porquê, o Sol e a chuva ao mesmo tempo?
Eu já nem sabia se parecia mais pateta com os óculos-de-sol postos e a apanhar com os pingos na cabeça, se por abrir o guarda-chuva e estar um daqueles sóis que aquece o pêlo capilar!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A Senhora Que Não Podia Parar

Reza a lenda, que em longínquas madrugadas longe de serem aquecidas pelo Sol, esquecido delas enquanto com outras se deleita, em dias que ainda são noite, pela escuridão e pelo frio, há uma senhora que não pode parar. Anda para a frente e para trás em espaços que não mudam, percorrendo somente os minutos. Porque se ela parar, o tempo pára também...

São os dias da semana que vão chegando e se sucedendo, e são matutinas as necessidades e obrigações que fazem poucas gentes convergirem para um espaço esquecido nos sonhos do Mundo que ainda dorme. À luz das luzes artificiais que o banham e pintam de amarelo-alaranjado àquelas horas, esse espaço é sempre igual: três táxis em fila, com os rádios em silêncio para não despertarem a noite, as portas abertas como que antecipando chegadas apressadas, um senhor sempre sorridente pronto a dizer a quem dela precise, que a porta da Estação "Está fechada, mas quase a abrir", e o seu saco gozando ainda do descanso, encostado à parede. Escadas descendentes vazias, o painel com as horas das partidas e destinos -sempre as mesmas, sempre os mesmos...- escadas ascendentes vazias: o desvio a que a porta "fechada mas quase a abrir" obriga. O ecoar dos passos, sempre os terceiros a lá chegarem, o rapaz que dum banco já fez sua propriedade nas esperas quotidianas, o pensar "vou-lhe atirar um sorriso! Um dia, hoje não...", o outro banco, também com direitos de propriedades já estabelecidos, o frio que as calças deixam passar, um olhar para a esquerda, e a Senhora Que Não Pode Parar.
Lá está ela. Para lá... Para cá... Há bancos e muros e encostos e espaços vazios onde sentar, encostar, simplesmente estar e esperar. Mas a Senhora Que Não Pode Parar não pode parar, e vai para lá e para cá, desde quando não se sabe, mas até ao comboio chegar, para por fim ser ele a levá-la, dando descanso aos pés, que calcorrem quilómetros quase sem sair do espaço finito de meia dúzia de metros.

Entretanto, já chegou o Senhor Que Põe A Mala Entre As Pernas E Os Pés No Limiar Da Linha Amarela, e daí a nada vai aparecer a Amiga Loira da Senhora Que Não Pode Parar, e que tem uma pronúncia a roçar dialectos do Leste.
E agora sim, com a porta da estação aberta, com o senhor sorridente e o seu saco já do lado la linha, com o Senhor Que Põe A Mala Entre As Pernas E Os Pés No Limiar Da Linha Amarela, com a Amiga Loira da Senhora Que Não Pode Parar, o comboio já pode chegar.

Mas houve um dia, em que a Senhora Que Não Pode Parar não apareceu. E depois outro, e ela não apareceu. E ainda outro e mais outro, e ela sem aparecer.
Reza a lenda, que em longínquas madrugadas longe de serem aquecidas pelo Sol, a Senhora Que Não Pode Parar parou. E os táxis continuaram lá, e o senhor sorridente continuou lá, e o saco encostado à parede continuou lá, e as escadas e o painel, e o rapaz e o banco e o outro banco e o Senhor Que Põe A Mala Entre As Pernas E Os Pés No Limiar Da Linha Amarela continuaram lá, e a Amiga Loira da Senhora Que Não Pode Parar continuou a chegar lá, todos à espera da vida que costumavam ter, mas a Senhora Que Não Pode Parar tinha parado, e com ela o tempo da Estação, e não fossem os Homens irritar o diafragma do Tempo, e ele soluçar numa hora, e nunca, nunca mais, teria havido noite de manhã.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

One person. One hour. One & Other.


Antony Gormley on the Fourth Plinth from One & Other on Vimeo.

Mais informação no site oficial: http://www.oneandother.co.uk/

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Batalha de almofadas

Batalhas destas vão valendo a pena... (Ah! Que trocadilho pertinente... "pena"...)

Avenida dos Aliados, 4 de Abril 2009, 18h00







despojos de guerra...


Esta última foi só para me armar em fotógrafa. Peço desculpa...

domingo, 5 de abril de 2009

Coisas que eu nunca pensei ouvir


A Raquel tem umas mãos tão bonitas. Dava uma boa parteira!


quinta-feira, 2 de abril de 2009

Posto Móvel de Informações

Eu tenho um problema: de cada vez que saio de casa, nasce-me um "i" no meio da testa. Às vezes cruzam-se no meu caminho pessoas a precisar de informações, outras vezes (raras, raríssimas), não. De outra forma não é explicável a quantidade absurda de informações que me pedem na rua!

Eu sou distraída. Pior! Eu sou tão distraída, ando tão abstracta, tenho uma bolha de tal modo fechada à minha volta não patrocinada por marca alguma, que "distraída" não chega para definir o estado em que ando quando ando sozinha na rua e qualquer dia (quem sabe se com o novo acordo...) inventam uma palavra para terem no dicionário com essa mesma definição. Pelo amor da Santinha, eu já estive para ser atropelada por 3 vezes por um eléctrico. TRÊS VEZES! UM ELÉCTRICO! Que anda sobre carris, sempre no mesmo percurso que ainda para mais se vê e sente no chão, apita estridentemente e anda com uma velocidade a rondar o meio kilómetro por hora!

Como se a distracção não me bastasse, não tenho jeito nenhum para nomes, muito menos os de ruas. E como se isto não bastasse, o meu jeito para dar informações não é uma das minhas características mais gabáveis. É assim um bocado como o jeito que eu não tenho para dar aulas: parto sempre (inconscientemente, claro) de que quem ouve, ou já sabe ou, pelo menos, devia saber o que eu sei, por isso atropelo as palavras com o pensamento, e já vou na expedição a Marte, quando na verdade ainda estão a eclodir os primeiros ovos de dinossauros.

Mas as pessoas não parecem saber disto! Não notam que eu vou na minha, alheada, longe de tudo e de todos, e abordam-me vezes sem conta com perguntas incrivelmente disparatadas aos olhos do meu estado de alma.

"Oh menina, pode-me dizer as horas?"
e eu quase que grito de susto, porque me acercam por trás e eu vou a pensar em tudo menos no relógio, e até perco por momentos o saber necessário para ler as horas que realmente eram, e digo "meio-dia e um quarto" ainda com o coração aos pulos, e a senhora que disparou a pergunta dispara a correr porque devia ir atrasada, ao que, não sei por força de que força, talvez pelo magnetismo da Terra, vá-se lá saber, olho de novo para o relógio e são na verdade uma e um quarto, e pois que indo a senhora já longe no seu passo de corrida rasteirinho (como é apanágio das senhoras...) me vejo forçada a gritar "UMA E UM QUARTO, DESCULPE!" ao que a senhora me acena, não quero nem saber o que ela percebeu e muito menos o quanto ela me mal-disse quando chegou uma hora mais cedo ao sítio onde pensou chegar cinco minutos atrasada...

"Desculpe, donde fica la (?)"

e eu "Oi?!"
e outra vez
"Donde fica la (?)"
e eis que não vejo solução para o embróglio que sacar do mapa das mãos da senhora e ficarmos as duas feitas turistas a seguir ruas com a ponta dos dedos, eu com a esperança do teleporte, a senhora com a esperança de que eu não lhe fuja com o mapa, a informação, e a expectativa de umas boas férias...


"Desculpe, pode-me dizer
ebrifnvhmox as Finanças?"
*acho que não percebi a parte fulcral da pergunta, mas "Finanças" ouvi de certeza, e esta sei!*
"Há duas: uma aqui
*apontar para a direita*, uma ali *apontar para a esquerda*, agora para que serve cada uma delas, isso já não sei..."
e já me preparava para tirar dali a minha incompetência debaixo do braço, quando
"Eu sei!..."
e já vou eu a pensar "então p'a que pénis
* pergunt..."
quando
"...Eu quero é saber da porta, que eu quero é ir a esta *aponta para a direita* que é onde se entregam os impressos! *carimbada de ignorante na testa da Raquel*".
Volto eu ao pensamento "velha estupida..." que, em palavras se traduziu "É ali. Está a ver...
*tem uma janela, outra janela, e depois UMA PORTA!* ali..."
"Ah, obrigada."
*Pois de facto fui, mas foi desde pequenina, a aprender a distinguir portas e janelas!*


*assoar o nariz*
-
"Mi desculpe..."
*oh meu de... Ele estará mesmo a falar para mim?!*
-
"Una livraria mui famosa"
*ai!... Está mesmo! Oh caramelo dum raio, y el lencito na nariz, no?! E perguntar ao senhor que ia à minha frente, ou à senhora que vem atrás de mim?!*
*dobrar o lenço, fungar um resquício que com o choque ficou a meio caminho*
"Ali
*apontar para baixo* prédio branco BRANCO, si?"
-"Si si..."
*Não, mas não... Não agradeças, que eu estou cá é para isso!*


Semáforos... Vermelho para peões... Duas peões estacam à minha frente a falar uma com a outra *não, mas deixem-se estar, OK? É que a) eu nem estou aqui à espera que o semáforo mude e b) muito menos preciso de o ver!*
"bla bla bla *olhar para a placa da rua* bla bla bla *como quem não quer a coisa, mas fartinha de a querer* -Olha desculpa!"
*pronto, PRONTO! É que tinha mesmo que sobrar para mim, não tinha?!*
"... a Rua já-não-me-lembro-qual?"
Não sei se sabia, se não sabia, não sei se acertei, se não. Um facto é que para as tirar da minha frente mandei-as para uma rua que podia muito bem ser a dita cuja, e ainda usei "transversalmente" na frase!: "é a rua que corta esta transversalmente..."
*Estão a ver o que me obrigam a fazer?!*
Ainda andei ali uns bons 500 metros a tentar recompôr-me, que um "transversalmente" saído assim sem se contar é coisa para abananar qualquer um!


Razão tinha o Peter, quando dizia que eu devia ter ido para guia turística... Era tudo o que sou hoje, com a benesse de ser paga!


*ando-me a treinar a não dizer palavrões (não lhes chamo "palavras feias", porque beleza por beleza (semântica, óbvio, nem vou entrar por aí...) "car*lho" é bem mais bonita que... esta... Mas é um palavrão e eu ando-me a treinar para não os dizer...)