quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ele há coisas que não se faz a uma filha!

Diz-me a senhora minha mãe: -O teu cabelo está enorme!

Extasiada que ando com este facto, que vê-se bem que não tenho caquinha nem demais porcarias na cabeça que lhe sirvam de estrume, que o desgraçado do cabelo primeiro que cresça, ganham os porcos asas e as galinhas dentes, respondo com um sorriso luminoso, felicíssima por não ser a única a disso me dar conta, toda eu envolta num anúncio à Herbal Essences (mas sem gritinhos orgásmicos, que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa): -Não está?

E eis que, qual rasteira mesmo dirigida à canela da alma, atira a minha mãe, acordando-me de todo aquele cenário: -'Tás mesmo a precisar de o cortar...

"ibwr keynir wekubrc!", argumentei eu, enquanto recuperava do choque e apanhava, ainda atordoada e com as pernas trôpegas, todos os resquícios de dignidade que via pelo chão. Vendo que era um argumento facilmente refutável, construí um: -Até parece que não andaste tu própria, e quando estes meus eram os teus anos, de cabelo comprido, até mais comprido que o meu! [BAM! Desta já não te levantas!]

Desconcerta-me ela, mais uma vez, mesmo quando eu pensava não ser possível: -Até meio das costas!

"iiuh dnfwe nhcnwfg", voltei a dizer, e ficamos com a conversa barra coça das antigas por ali, e não sei se ganhei eu se ganhou ela, que acho que aquela minha estucada final acabou por ser por ela empunhada sem que nenhuma de nós disso tirasse proveito, a não ser ela que era um mulherão de cabelo comprido e domado. E usou isso contra mim e agora estou a pensar rapar o meu.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Estampilha

Tenho-nos por feios, porcos e maus, mas depois presenteiam-nos em jeito de fofos, lindos e fofos. Andamos a fazer alguma coisa mal feita, com certeza...

Desta feita foi a ilustrérrima Pusinko, dona toda ela duma imparcialidade sem igual, mestre e senhora da verdade e da ambivalência, matriosca do bom-humor, inteligência e bom gosto no que toca a bebidas alcoólicas, que nos deixou no seu estaminé como quem diz "hás-de vir aqui, ao menino!", isto:

Ao que parece, somos coisa de outro mundo, e este já mal nos chega.

Diz que o dito tem obrigações inerentes: dedicar-lhe um post, está feito; agradecer a quem no-lo deu, está feito também, ali em cima e em jeito de bajulação, que é uma maneira de agradecer como outra qualquer, se não mesmo melhor; os 12, 12!, blogs a quem o oferecer, não vai poder ser. Os únicos "12" que conheço, são os deuses do Olímpo, e da última vez que vi, eles ainda não tinham internet. Dos que têm e conheço, não chegam a essa quantia, por isso, e para não deixar esta alínea incompleta, não vai nada para ninguém!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Exames

São exigentes, fazem-nos passar um mau bocado, volta-e-meia fazem-nos sentir ignorantes como não sabíamos ser possível, há ainda aqueles os quais nos sentimos capazes de enfrentar sem medo e aniquilar sem piedade, e quando no-lo espetam à frente, cruz credo, que eu até vim às aulas todas e não estou a ver de onde saiu isto!; há noites em claro, há dias em que nem se olha pela janela, quanto mais ir lá fora sentir o sol; há a pressão e o desgaste. E de repente, chega-nos um caramelo à frente, caramelo esse que, para não laurear a pevide o ano todo, no 2.º semestre se lembrou de ir para uma escolinha lá para o interior do país, que nos diz:

Caramelo: -Sabes uma das perguntas que tinha o meu exame de Português? "Escreva uma palavra que possa ter dois significados consoante a sílaba tónica"
Eu: *queixo caído, tremuras na pálpebra do olho direito e espasmos na perna esquerda* -Isso nem nos testes do teu irmão! [que anda no 8.º ano]
Irmão: -Ah pois não, não!, que isso até eu sabia!
Caramelo: -E olha o que um colega meu respondeu: 'Os indianos são os que vêm da Índia'
Eu: *hipoxia e síncope do coração*
Caramelo: Quando saímos do exame e ele nos disse, ficamos à espera de mais, mas não, foi só aquilo que ele escreveu! Rimo-nos tanto... E o meu exame de Inglês? Eu nem estudei! Uma das perguntas era um quadro, em que numa coluna tinha vários desportos: 'football', 'swimming', etc, e na coluna em frente, tínhamos que escrever a designação do desportista, tipo 'football player', 'swimmer',...
Eu: -Oh não... Estás a gozar!
Caramelo: -Não! E queres saber o melhor? As palavras estavam escritas ao lado! Era só copiar para o sítio certo!
*morri*

E o que mais me preocupa, é que, no fim, os que de lá saírem vão ser tão licenciados quanto eu. E que é mais valorizado o melhor entre os piores do que o pior entre os melhores... Não percebo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Como daquela vez em que a montanha foi ter com o Maomé

Imaginem a mercearia mais fantástica das poucas que ainda subsistem. Não é a que tem os legumes mais frescos ou as prateleiras rangentes de madeira dobrada sob o peso dos víveres e dos anos. O chão nem é de taco ou de ladrilhos bege pintalgados de preto, nem o tecto de ripas pintadas de branco ou azul.

No entanto, ah!, mas no entanto, vende os croissants com chocolates mais saborosos de que há memória, vende os doughnuts mais deliciosos fabricados deste lado do Atlântico, vende pães com chouriço e folhados de salsicha que até dão duas voltinhas no micro-ondas como que a rirem-se da vida na centrifugação de um carrocel, para queimarem a ponta da língua e se perpetuarem na memória por mais que apenas o sabor.

É pequenina, mas nela cabe tudo, desde os protectores solares aos repolhos do dia ainda húmidos da geada do princípio das manhãs sempre frias do Litoral, humidade que com o pó se mistura e entranha nas paredes desta e de todas as mercearias e lhes impregnam o seu tão característico cheiro; desde a arca frigorífica para quem quiser passar para este lado do balcão "pode estar à vontade, ora pois claro, porque não haveria?" para ir buscar o suminho fresquinho para o lanche; desde senhoras a comprar a massa e o atum enlatado para o jantar e "uma fatiinha de fiambre para o meu netinho, que gosta tanto e como eu gosto de o mimar!", a putos a comprarem doces e salgados em doses industriais como se quer e precisa para aguentar a doideira dos dias de Verão e a loucura das suas noites.

Esta mercearia, a que chama por nós e nos tenta as papilas e vicia, veio para a porta de casa.

A partir de agora, vou ter que andar com uma cunha sempre comigo para que, quando me chamarem, a desvie e vá a rebolar por ali fora, de tão obesa que tenciono deixar-me ficar neste Verão.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Um dia de caca

Bioestatística, odeio-te!

domingo, 10 de julho de 2011

Será razão para alarme? II

Pedalava-se o Tour na televisão, e se era certo que ainda estávamos à mesa e que, à semelhança dos tubarões, a minha mãe diz que não consegue ouvir enquanto está a comer, eu era a única que ainda o fazia.

A páginas tantas, e tendo esta 9ª. etapa sido desastrosa no que a quedas diz respeito, o comentador faz referência a um corredor que, na Volta à Suiça, caiu e ficou em muito maus lençóis, tendo tido "um traumatismo craniano, tendo ficado alguns dias em coma induzido e, tendo já acordado, ainda só responde a estímulos simples, não consegue engolir, vai ter uma longa e penosa recuperação pela frente" e continuou no seu relato, não sei se sobre o pobre ciclista, se sobre qualquer outro coitado que hoje tenha lambido estradas francesas com os joelhos e cotovelos, se sobre a verdejante paisagem que se desenrolava perante nós, pois o meu fio de atenção à televisão é cortado à força de dois toques ao de leve no ombro, dois encostares suaves da polpa de um dedo, aos quais respondo com um virar de cabeça e vejo um olhar de pasmo e incredulidade misturados com terror, expresso em voz baixa pela senhora minha mãe com um: -Ele só come chiclets?!

-Sim minha mãe. Por isso é que a recuperação vai ser complicadota, porque ele não vai ter forcinhas...

Sabendo, mais uma vez, que a sua dúvida era tão pertinente quanto levar um guarda-chuva para o deserto, lança-me o "Oh, a sério..." de quem sabe que a minha resposta não se pautou pela integridade, já dito com os cantos dos lábios a desenharem o riso dos sábios quando cometem gralhas.

-Só responde a estímulos simples!, digo-lhe eu, depois de ter percorrido o texto que acabamos de ouvir e tendo nestas, as palavras mais foneticamente capazes de criar a confusão.

-Ai foi isso que ele disse?, diz ela já a rir o riso que diz "mais uma que era escusada".

-Não, minha mãe, disse que só comia chiclets.

A tentar manter-se séria e com o olhar malévolo que diz "tens mesmo a certeza de que queres gozar com que te põe a comida no prato?", acabamos a conversa cada uma a rir-se para seu lado, e para mais tarde -e sempre!- termos mais um momento de elevada pagodice a presentear-nos a existência.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Será droga, será estupidez? Estupidez, não é certamente, e a droga não bate assim!

O Santo da cidade é o António, bem como o da capital. O S.João é a 24 de Junho. E anda-me uma desgraçada duma carripana a anunciar uma "grande festa de S.João, Sábado dia 9 de Julho", ao som de, qual pontapé bem assente no testículo esquerdo da coerência, "Cheira bem, cheira a Lisboa"!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

E a Raquel tem razão ou tem razão?

Tem razão, pois claro! E é ver os energúmenos todos a darem-ma!

No funeral de Maria José Nogueira Pinto, uma única palma! Para uma mulher que, agora sim, se esforçou por fazer algo para e pelo País.

E uma mulher que "sabia que o senhor sabia que ela sabia que o senhor sabia"! E o Angélico? Ah, pois, fazia lá ideia...

Imbecis...

Allez Madrid

O Fábio Coentrão disse (mais uma vez...) que só saía do Benfica se fosse para o Real Madrid.

Mas isto não é notícia nenhuma, amores. É bom senso.

A mudar, muda-se para melhor, e melhor que o SLB, não estou a ver muitos para além do Real.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Ba 2

Está bom de ver que a culpa da descida do rating de Portugal para a categoria de "lixo" é dos quartéis da GNR.

Porcos.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

"Mas afinal, nós somos médicos ou somos biólogos?" (*)

Duas horas de cama, uma de sono efectivo. Uma hiperactividade como só uma hora de sono pode proporcionar -incompreensível, portanto-, tira-me da cama, trata de mim, serve-me o pequeno-almoço, veste-me e ainda dá uma vista de olhos àquele mal-fadado esquema que não há meio de entrar no entendimento. Leva-me à estação, compra-me o bilhete -espero que tenha conferido o troco-, e enquanto me sento à espera do comboio, desassossega-se em pressas desnecessárias e incompatíveis com os horários da CP: "e o comboio não vem?", "por acaso ainda é cedo". "E está a chegar tanta gente!", "de pé não vou, nem que tenha que entrar de cotovelos em riste, a distribuir bordoadas a torto e a direito!", "lá p'ó c@ralho com as máquinas de validação e a obrigatoriedade de o fazer de cada vez que se entra no comboio!", "ainda não chegou? A senhora com voz robótica já o anunciou!", "vamos então, vamos, vamos!", "tanta gente, pá! E palha no ninho, ninguém tem, ninguém quer?". Alapou-se muito quietinha no primeiro banco que viu, e foi sossegada o caminho todo enquanto, contrariamente ao meu costume, eu ia passando os olhos por aquele mal-fadado esquema que não há meio de entrar no entendimento, só para ver se a cola de estudante é mesmo boa.

Chegada à faculdade, espevita-se logo toda, atiro-lhe com chiclets para ver se se acalma, "não aparece Prof. nenhum? Queres ver que vai ser como daquela vez em que alguém vai ter que os ir arrancar ao bar? Ai, o exame era agora? Não, nós só viemos para a faculdade porque o Magalhães Lemos só abre às 10h..."
Entre considerações sem despropósito mas com muito desprimor, lá chega a Prof., *chok chok chok* a porta não abre, *chok chok chok* se calhar a chave não é esta, *chok chok chok* enquanto alguém lhe pergunta se quer ajuda a abrir a porta, eu travo a minha incoerência matinal de perguntar se ela quer que segure nos exames, que vai-não-vai ainda é isso que não está a contribuir para o sucesso daquela empreitada, chama o outro Prof., vai pelo outro lado, por dentro também não abre, "ora se calhar então entramos todos por ali", siga todos para ali, tudo sentado, exame à frente, *zau zau zau*, Raquel aniquila pergunta atrás de pergunta e BAM! um crânio e 15, QUINZE estruturas a nomear.

Sabe o que lhe digo Professor Doutor, a ver pelo meu, só há duas estruturas: um grande melão e um corno que me está a nascer no meio da testa típico, aliás, dos meus 15 anos "que crescida que ela está!"

Isto é só estrebuchismo a pedir atenção, que das 15 sabia para cima de metade, para as que não sabia arranjei nomes muito lindos, e a duas delas chamei o mesmo porque assim é garantido que uma esteja certa.

Pior mesmo, foram a omoplata, o fémur e a vértebra (desgraçada esta que quase não lhe chegava o tamanho reduzidérrimo que tem, para tantos números e nomes), que é por estas e por outras que eu vou querer doar o meu corpo à Ciência quando a Ciência de mim deixar de fazer parte, para a minha anatomia desgraçar mais uns quantos, que isto não fica assim! Ninguém se fica a rir de mim.

Só por cima do meu cadáver!

(*)Havia um jovem que dizia esta frase, não sei muito bem porquê nem em que contexto, mas é uma frase que transpira este post a cada sílaba, encaixa aqui como já vi luvas a não encaixar tão bem em mãos! E ele não é do tempo da Física dos Processos Biológicos, em que tudo o que é articulação (e oh!, que nós articulamos tudo e mais alguma coisa!) tinha que estar sabido!

domingo, 3 de julho de 2011

E a Pré-História ali tão perto...

Sentimo-nos velhos quando uma catraia de 4 anos sai da cozinha a correr para a mãe num estado de quase-pânico e lhe diz: "Mãe! A tia está a cozinhar com lume!"

Já não gostava de fogões eléctricos e placas térmicas e vitrocerâmicas e demais picuísses do género.
Cada vez menos...

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Vêem-se Gregos

E no meio de tudo o que se passa na Grécia, dou por mim a ter pena dos polícias, que talvez até concordem com as manifestações, que talvez até o que mais quereriam era poder insurgir-se também e gritar todo o seu desespero e descontentamento e passar para o outro lado da barricada, mas têm que estar de pedra e cal a defender o Estado, a defender os homens que os puseram naquela situação. E qualquer atitude mais brusca, provocada pela gota que saltou em estado de ebulição, que o copo há muito deve estar cheio, são logo alvos de "inquéritos à sua actuação" por quem não vê que a corda não é só bamba, mas sim fina e simples demais para quem tem que se forçar a estar do lado mais cruel por ela delimitado.

Agência Reuters

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Momento de estupefacção nr. 2

Puta que pariu, que até me obrigam a falar mal! Então agora bate-se palmas a toda a gente que teve os seus 15 minutos de fama, quando morre?

O moço morreu porque foi inconsciente, inconsequente, imprudente, temerário, com ele morreu mais um jovem e outra está muito mal! Não morreu vítima de um acto de terrorismo cobarde, não morreu vítima de uma doença maldita! Pode-se sentir pena pelo sofrimento de famílias e amigos, mas dele, não!

Se fosse o filho da vizinha a ter um acidente de automóvel em excesso de velocidade a meio da madrugada, jesus, do que o apelidavam! A ele, à mãe dele, quiçá ao pai e até ao periquito! Nem que culpa tivesse sido do eixo traseiro! Era ele que ia a conduzir, não era? Mais uma descascadela na tia, na prima e no cão. Mas se o menino apareceu na TV e cantava e tinha dois palmos de cara, "ai, coitadinho"!

Palmas?! A sério?! Ele tinha 28 anos, completou-vos assim tanto a vida, deixou obra feita em prol de algum bem maior?
Ganhem juízo nessas cabecinhas, que muita falta vos faz, e eu escusava de ver destas coisas que me tiram do sério, evitavelmente.

Se fosse o funeral dum primo afastado (e, oh que simpática que estou a ser com o adjectivo!), "ai não vou! Nem o conhecia assim tão bem, e 'tá um dia de praia tão bom, ainda por cima... O tanas é que me apanham na torreira do cemitério à espera dum morto!"
"Ai, mas foi tão lindo!" Tão lindo, uma ova! Que aquilo não é espectáculo nenhum, há gente a sofrer. A bom sofrer!

Cambada de gente estúpida, pá! Nestas alturas até tenho vergonha, e nem é nada comigo...

[Quando vier a Primavera,]



Eu é que já decidi que não vou morrer senão, queria este poema lido no meu funeral!